Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Como a vida muda...

Acabei de assistir o filme:
CÓDIGO DE CONDUTA...
E entendo, realmente entendo como se sente um Pai, marido ao ver sua filha e esposa serem assassinadas...
Fiquei agitada, ansiosa demais, precisei levantar para escrever, desabafar, se não fizesse isso acho que morreria sufocada...


Eu e o Ricardo fizemos de tudo para salvar a vida da Letícia... Tudo... Não medimos esforços, tempo, dinheiro nadaaa, fizemos tudo o que podíamos, e faríamos mais, se tivesse ao nosso alcance... Lutamos, sofremos, corremos, oramos, acompanhamos, pedimos, brigamos, imploramos e nada, de nada adiantou... Daríamos as válvulas de nosso coração a ela, daríamos nosso próprio coração, daríamos a ela nossas vidas!!!
Como eu queria que essa decisão estivesse ao nosso alcance, como eu queria ter o poder de decidir...
Fizemos tudo o que podíamos e faríamos mais, incansavelmente mais para preservar a vida de nossa Pequena. Temos a noção disso, e mesmo assim é difícil demais aceitar que não estava ao nosso alcance, aceitar que de nada adiantou nosso sacrificio, aceitar que nossa vida não era o suficiente para preservar a vida dela... Aceitar, ter que continuar vivendo sem te-la por perto...
Se não consigo entender, como conseguirei aceitar???
E por mais que eu tente, não consigo deixar de sentir revolta, por pensar em minha neném tão inocente, entrou no centro cirúrgico dormindo, nem ao menos percebeu que tinha saído do meu colo, nem ao menos  percebeu que estava partindo...
Então fico imaginando como se sente um Pai, uma Mãe que perde seu filho(a) sem ter a chance de lutar???
Ou pior, como se sente um Pai, uma Mãe que tem seu filho(a)brutalmente assassinado???
A dor eu sei bem como é, vivo ela todos os dias por ter perdido a coisinha mais importante da minha vida, dor em perder um filho é uma só, é a pior que existe...
Mas a revolta, bem essa não consigo imaginar, eu, por ter lutado tanto para salvar a vida da minha filha, estou enlouquecendo, imagino quem não tem a chance de lutar...
Dó, pena, compaixão, tudo isso é pouco demais, não da para calcular a dor que sinto ao imaginar a situação desses Pais, Mães...
Em fim:
Hoje fui ao cardiologista levar os exames que fiz logo que tudo aconteceu, pois passei a sentir uma forte dor no peito, e de tanto o Ricardo insistir acabei indo ao medico e fazendo os tais exames...
O medico disse que meus exames estão bons, disse também o que eu já sabia, que essa dor chama-se angustia e que é esperada surgir em situações de grande emoção, stress ou trauma...
Expliquei a ele que já trato da angustia com uma Psicologa e uma Psiquiatra, que já tomo ant depressivo, mas que a dor insisti em continuar...
O Cardiologista disse que entende o motivo da dor, angustia, disse que com o passar do tempo e com a ajuda dos remédios a tendencia é a dor diminuir, e antes dele concluir, eu mesma disse:
Diminuir né doutor, acabar não... Sei que nunca vou deixar de sentir dor pela perda de minha filha...
Ele apenas acenou com a cabeça...
Por fim, pediu mais alguns exames...
Saindo de la com as guias de pedidos de exames lembrei que ha um ano atrás eu vivia situações parecidas, frequente idas ao medico, e saia sempre com guias de exame para ultrassonografia, todo mês arrumava um jeitinho de pedir a ultra, e brincava com o Ricardo dizendo, que a alegria da gravida é o momento da ultrassonografia...
Fico pensando como as coisas mudam, ano passado era consulta com ginecologista, exame de ultrassonografia, vacina contra tétano, na farmácia materna e acido fólico de vitaminas... Minha preocupação era terminar a reforma da casa para a chegada da Lelê, comprar seu enxoval, providenciar chá de fraldas...
E hoje:
Consulta com Psicologa, Psiquiatra, Cardiologista, exames de eletrocardiograma, ecocardiograma, estera, na farmácia calmantes e ant depressivo, e providenciar... bom sem planos para o futuro, o difícil mesmo é viver o dia de hoje, deitar e dormir sem pensar, sem chorar, sem sentir dor, falta de ar, dor no peito... 

É realmente a vida muda...
Geralmente são punidos aqueles que cometem algum tipo de crime ou pecado... Que sera que eu aprontei a ser catisgada dessa maneira???

4 comentários:

Marla Desanoski disse...

Oi minha amiga, sei bem como é, eu mesmo fico pensando um ano atraz estava com meu barrigão toda feliz e anciosa com a chegada do meu caçula fazendo planos, sabe, meu filhos são pequenos a diferença de pequena, tenho a Laisa de 5 anos o Felipe de 3 anos e meu anjo Miguel que iria completar 1 ano, tudo escadinha, nossa seria um orgulho pra mim, passear com meus filhos, acho que seria a mãe mais feliz do mundo, e um ano depois sinto este vasio enorme sentindo falta do meu caçula, apesar de ter meus filhos que são maravilhosos td pra mim, mas vc sabe né cada filho é unico...
Mas olha, um dia tenho certeza que vc vai pensar assim também, eu acredito que Deus tem um proposito muito lindo para nós...pensar nisso que busco o meu consolo, facil não é, mas acredito nisto, rezo muito por vc...
bjussss...

Fabi disse...

Obrigada minha amiga Marla, você me entendi né... Sabe exatamente o que estou sentindo...
Obrigada mesmo por estarmos juntas nessa dor.

Michele Carvalho Goulart Salomão disse...

Olá Fabi, ja assisti este filme tbm amiga, meu marido disse que no lugar deste pai, ele faria o mesmo, porque não perdeu a filha e sim a família, a sua força, sua ancora, seu porto seguro o único motivo que o fazia levantar cedo e enfrentar os obstáculos da vida... Você tem sua família, seu marido que o tempo todo apoia e entende sua dor e mesmo assim é praticamente impossível seguir em frente sabendo que o bem "mais" precioso da sua vida ( sem desprezar os demais) não está mais por perto, aquela que te fazia levantar todas as manhãs sorrindo das balbuciadas, das alegrias em te ver, do olhar fixo na mãe ao ver se aproximar e abrindo um sorriso extremamente maravilhoso, sem o pote de ouro.... Nãoooo, não imagino, como conseguiria, não imagino como vai conseguir um dia acordar de manhã e não olhar o canto onde estava o bercinho da Lele sem pensar um minuto sequer nela, sem ao menos lembrar das vezes em que ela chorava de fome ou sorria ao ver os papais e as irmãs.. Sem pensar no banho, nas trocas de fralda, nas papinhas, nas mamadas e na desgraçada da médica que por meses não percebeu o probleminha dela e no médico que a levou e não a devolveu... Eu as vezes TENTO me colocar no seu lugar, mas só de pensar ja choro e imagino como esta sendo difícil pra vc, espero um dia poder ler em seu blog que finalmente a dor diminuiu um pouco, porque a Lele mandou do céu mais um irmãozinho ou irmãzinha para amenizar a dor que estão sentindo pela falta que ela faz..... Vc pretende??
Bju grande no seu coração....

Fabi disse...

Oi Mi...
Você fala tão profundo, palavras certas...
Me compreende, sofre comigo, sofre por mim...
Se tornou tão querida!!!
Obrigada minha amiga...
Quanto ao que me perguntou:
As vezes penso que sim, pelo Ricardo, o melhor Pai que já conheci... A Lelê, é sua única filha, as vezes penso que ele merece ter mais um filho, quem sabe mais uma filha, para poder viver tudo o que havíamos sonhado, planejado, e de nós foi arrancado, roubado...
Mas não sei...
Quando a Lelê nasceu fiz laqueadura, o que dificulta muito essa possibilidade...
Não sei...
Realmente não sei...
A Lelê para nós é especial, tenho a karol, a Gabi, posso ter outro filho ou filha mas ela é, e sempre sera especial, pois mora distante e ao mesmo tempo dentro de nós...
Sei que um filho não mudaria em nada nosso amor pela Letícia, ela nunca sera substituída, muito menos esquecida... Outro filho, sera apenas mais um, assim como minhas outras Princesinhas, são amadas como filhas queridas, porem estão aqui próximas a mim, posso tocá-las, abraçá-las, beijá-las sempre que tiver vontade, e a Lelê, fica tudo guardado aqui dentro, para quem sabe um dia eu poder realizar cada desejo que sinto a todo momento, desejos de carinho, do mais puro e verdadeiro amor...
Talvez outro filho amenizasse um pouco nossa dor, pois exigiria nossa atenção, porem não mudaria nossa historia, não sessaria nossa tristeza tão profunda... Falo nós porque conversamos as vezes nesse sentido e o Ricardo sente-se tão perdido quanto eu...
Como pode ver Michele, ainda estou muito confusa, fica difícil pensar em algo tão complexo...
Vamos ver, deixa o tempo passar e veremos se sou capaz de ter mais uma filha, mais uma irmãzinha a Lelê...
Obrigada Querida,
Um abraço.