Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Obrigada my Angel!!! my love big!!!

Li esse depoimento e achei incrível a riqueza de detalhes que essa Mãe Ana Rosa, relata sobre a partida de sua filha. Pude perceber que essa dor indefere as mães, e constatar que diante a chegada dos filhos a felicidade absoluta e imensurável é igual e diante a separação a dor extrema e o vazio absoluto também é o mesmo, a não ser umas e outras que fogem a regra tornando-se despresivel ao não se alegrar ao nascimento do filho, tem aquelas piores que bicho que abandonam ou jogam seus filhos no lixo, e se existe insanidade nesse mundo eu denomino dessa maneira aquelas que enterram seus filhos sem sentir uma lamina afiada detalhando por completo seu coração e sua alma. Em fim, não perderei tempo falando sobre esse tipo de ser, hoje mostrarei o exemplo dessa Mãe, não da atriz Ana Rosa, simplesmente da Mãe Ana Rosa que assim como eu enterrou uma filha amada, e assim como eu acredita no reencontro, grifarei as frases que poderia ter sido ditas por mim, frases que demostra exatamente o que penso e sinto.
 
Vale apena ler:
 
DEPOIMENTO DA ATRIZ ANA ROSA SOBRE A DOR DA PERDA DA FILHA
Algumas vezes eu representei cenas de perdas de entes queridos em novelas. No dia 17 de novembro de 1995, no velório de minha filha Ana Luísa, nascida em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1976, eu não queria acreditar que estivesse vivendo aquilo de verdade.
No dia seguinte, saí para comprar alguns presentes de Natal. Afinal, meus outros seis filhos ainda estavam ali e precisavam da mãe. Mas eu parecia um zumbi. Numa loja, me senti mal. Tontura, fraqueza, parecia que meu peito iria explodir, que eu não iria agüentar tanta dor. Pedi à vendedora que me deixasse sentar um pouco. Eu estava quase sufocando, as lágrimas queriam saltar de meus olhos. Mas eu não queria chorar. Queria esconder minha dor, fazer de conta que aquilo não havia acontecido comigo. Bebi água, respirei fundo e saí ainda zonza.
Eu sempre acreditei que iria terminar de criar minha filha, como todos os outros. Que iria vê-la formar-se em veterinária. Vê-la casada, com filhos. Achava que teria sempre a Aninha ao meu lado. Um dia, ela me contou que quando era pequena e eu saía pra trabalhar, ela sentia medo de que eu não voltasse. Por isso ficava sempre na porta de casa me olhando até eu sumir de sua vista. Por isso vivia grudada em mim.
Imagino que ela já pressentia ainda criança, que iríamos nos separar cedo. Só que foi ela a ir embora. Foi ela que saiu e não voltou mais. Foi ela que me deixou com a sua saudade. Para amenizar a falta, o vazio que ela deixou, eu ficava horas revendo os vídeos mais recentes com suas imagens. Nossas viagens, festas de aniversários, a formatura da irmã, seu jeitinho lindo tão meu conhecido de sentir vergonha. Ela com o primeiro e único namorado. O gesto característico de arrumar os cabelos. A sua primeira apresentação de piano. Nesse vídeo então, eu ficava namorando suas mãos de dedos longos e finos. Até hoje eu me lembro de cada detalhe das mãos da Aninha. Assim como me lembro de cada detalhe de seus pés, do seu rosto... Dali pra frente, o que mais me chocava e surpreendia era que todo o resto do mundo continuava igual. Como se nada tivesse acontecido: o sol nascia e se punha todos os dias, as pessoas andavam pelas ruas. O mesmo movimento, barulho. O mundo continuava a girar. Tudo, tudo igual. Só na minha casa, na minha família, dentro de mim, é que nada mais voltaria a ser como antes. Faltava minha filha, Ana Luisa! Eu passava, quase diariamente, nos lugares comuns: o colégio Imaculada Conceição, em Botafogo. Cinema, lanchonete, restaurante, o metrô, onde tantas e tantas vezes viajamos juntas. A loja das comprinhas, o shopping, o parquinho, o clube onde fazia natação. A praia de Botafogo onde ela foi atropelada, o hospital Miguel Couto, onde passamos as horas mais angustiosas de nossas vidas.
O cemitério São João Batista, onde repousam seus restos mortais. Até hoje cada um desses lugares me lembra alguma coisa de minha filha. Até hoje guardo as lembranças de seus abraços, seus chamegos, o cheirinho da sua pele, o calor, seu carinho e aconchego. Ana vivia literalmente pendurada em mim. Já grandona, maior que eu, mas sempre como se fosse meu nenê pedindo colo.
Saudade. Saudade. Saudade, minha Aninha.
Não fosse a minha fé e a convicção de que a vida não termina com a morte, não fossem os outros filhos que ainda precisavam de mim, acho que teria pirado. Além da família, o trabalho, a terapia e o estudo da doutrina espírita me deram forças para superar a separação e a falta da Ana Luisa. Sou e serei eternamente grata ao meu Pai do Céu, porque fui agraciada com muitos sinais de que a separação é apenas temporária. Alguns dias após sua passagem entrei em seu quartinho que ficou inundado pelo cheiro de rosas. Instintivamente fui olhar pela janela. Naturalmente o cheiro não vinha de fora. O perfume intenso era só ali dentro.
Um mês depois, no grupo que eu freqüentava no Centro Seara Fraterna, minha filha se manifestou. Ainda meio confusa pela mudança abrupta e repentina, mas já consciente de sua passagem. Naquela noite, o buraco no meu peito que parecia uma ferida sangrando, mudou de aspecto. Continuava a doer, mas a certeza de que minha filha continuava e continua viva em alguma outra dimensão me trouxe uma nova perspectiva. A de que eu poderia chorar pela sua ausência, nunca pelo seu fim.
Dalí pra frente, algumas vezes vi, em outras pressenti, sua essência ao meu lado. No decorrer desses doze anos, recebi, por acréscimo de misericórdia, um bom número de mensagens dela.
 
Como Ana Rosa eu também sempre acreditei que veria minha filha crescer, eu brincava com ela dizendo:
-Filha não tenha pressa de crescer meu amor, você é minha caçulinha, meu chodozinho, te quero bebe por muito tempo.
Posso dizer com todas as letras que aproveitei todos os momentos ao lado de minha filha maravilhosamente bem, não havia nada mais importante e especial a mim do que cuidar dela, amamenta-la, brincar com ela, ver ela dormindo, ver ela sorrindo...
Acreditava realmente que iria ver ela crescer, levaria ela para escolinha, para o Balé, no parque, na praia, no shopping, no MC, na pracinha.
Ela a caçula seria minha companhia, seria a ultima a casar-se e sair de casa, mas foi tudo diferente, minha caçula foi a primeira a sair de casa, pior, saiu e não mais voltou, e eu fiquei aqui a sentir saudades de cada minuto que passamos juntas, pior de cada minuto que nos foi perdido, mas que acredito recuperar um dia.
Aquele sorriso banguela eu jamais esquecerei, assim como não esquecerei cada detalhe de minha bonequinha cabeluda, aquele olhar apaixonado que era fixado ao meu, aquelas mãozinhas tão pequenas que mamãe dizia, carinho Lelê, carinho, e la vinha ela toda desgovernada fazer carinho na mamãe, aquele cheirinho de suco ades de uva, aquelas mãozinhas na boca, aquelas mãozinhas segurando os pés, aquelas mãozinhas embaixo do travesseiro, aquelas mãozinhas que tudo queria pegar, aquelas mãozinhas que puxavam os brinquedinhos do móbile, aquelas mãozinhas que jogava longe os imã da geladeira, aquelas mãozinhas que segurava o paninho na hora de dormir, aquelas mãozinhas que estavam presas no hospital e mesmo assim conseguiu se soltar para fazer carinho no papai, aquelas mãozinhas que segurava meu dedo na hora de mamar, na hora de dormir, na hora em que estava no cachãozinho... Puxaaaa de repente uma pontada no peito, e lagrimas escorrendo sobre a face...
Como Ana Rosa também me choquei, ao perceber a vida seguindo seu percurso natural, o relógio não parou, tudo continua a ser como sempre foi, as luzes, o sol, a correria do dia a dia, as festas, pessoas rindo, felizes, parece que só eu mudei, parece que só eu sinto essa dor fulminante em meu peito, esse frio na boca do estomago, essa confusão em minha cabeça, esse desejo de que tudo termine o quanto antes... Coisas que somente quem passa saberá entender que não é egoismo e sim falta, falta de algo que jamais sera preenchido, falta de algo essencial, falta de querer viver, falta de acreditar, falta de ar, falta de graça, tudo perdeu a graça, tudo perdeu a cor, tudo perdeu o sabor,  tudo perdeu o sentido e a razão.
Se continuo,
Continuo por amor a memoria da minha filha e mais que isso, continuo por ter a convicção de que ela continua viva, continuo por querer entender o porque, continuo por querer saber como chegarei até ela, continuo por tanto a amar, continuo porque sei que ela também me ama, continuo porque sei que ESTAMOS JUNTAS, continuo porque ela própria me segura pelas mãos e me ajuda a seguir, continuo porque sou mãe de 3 e amo essas 3 com a mesma intensidade, continuo porque preciso cuidar das outras 2, continuo porque minha caçula cuida de mim, continuo pelo Papai que sente e sofre  da mesma maneira que eu, continuo por amor a minha família:
Ricardo, Karol, Gabi e Letícia meu Anjo, minha vida!!!
Assim como Ana Rosa eu também fui agraciada com muitos sinais que ela VIVE no céu, e ao mesmo tempo dentro de mim, pertinho de mim, assim como Ana Rosa posso senti-la e ao sentir pela primeira vez tive a certeza de que pertencemos uma a outra e nossa separação é mesmo temporaria.
Isso me acalma, me acolhe a alma, isso me ajuda a viver!!!
Obrigada my Angel!!! my love big!!!
 

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