Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Só quem passa pelo vale para entender.

Quanta verdade nessas palavras:

No fundo...no fundo. 
Como conseguimos sobreviver a isso, meninas?
As vezes me pergunto, exatamente como chegamos ate aqui. Algumas com 1, 2, 3, 4 , 5 anos ou mais desse luto dolorido. mas como? Como conseguimos termos vivenciado uma tragedia , tao grande, como essa em nossas vidas, e conseguirmos?
Como as outras mães dizem " Eu não conseguiria! Eu morreria junto!". No fundo, no fundo, nos também criamos nisso, não e? . Nos também criamos que se um de nossos filhos partissem antes de nos. Nos não suportaríamos. Nos morreríamos junto.
Mas...estamos vivas! Meia que mortas, devo confessar.
Meia que sem gracas. Sem o mesmo vigor, a mesma energia, a mesma capacidade de sorrir. mas chegamos ate aqui. Como?
Quanta saudades, e quanta dores, carregamos nesses nossos corações que doem..doem...doem.
Essa saudade machuca demais! E isso não eh uma " expressão", "uma maneira de dizer". Ela machuca mesmo! Eh literal!
E vamos assim machucadas, seguindo essa vida, quase mortas...senão de fato mortas.
As vezes, parece que nosso corpo sobrevive, mas nossas almas já partiram daqui no dia em que eles partiram. Acho que nossas almas subiram com eles, amigas.
Acho que não estamos mais aqui...

Desabafo de uma mãe do grupo Mães órfãs. "Lucila"


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