Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

terça-feira, 12 de março de 2013

EU SOU NORMAL.

Li esse texto no grupo e imediatamente me identifiquei com ele. Entendi que sim, sou normal dentro das circunstâncias que vivo. Sou sim, uma mãe de colo vazio normal!!!

O QUE É NORMAL AGORA? DEPOIS DE PERDER UM FILHO !


NORMAL é estar tentando decidir o que levar para o cemitério para o Natal, aniversários, Páscoa.

NORMAL é se sentir mais confortáveis com um funeral do que com um casamento ou uma festa de aniversário, mesmo sendo terrivelmente doloroso quando você sentir o cheiro das flores, ver o caixão, e todas as pessoas chorando.
NORMAL é sentir que você não pudesse sentar mais um minuto na igreja sem gritar de revolta.
NORMAL é ter lágrimas esperando por trás de cada sorriso quando você percebe que está faltando alguém que ama em todos os eventos importantes na vida da sua família.
NORMAL é não conseguir dormir porque mil "e se" passam pela sua cabeça constantemente.
NORMAL é ter a TV em casa para ter algum "ruído" porque o silêncio é ensurdecedor.
NORMAL é contar a história da morte de seu filho como se fosse um evento cotidiano comum e mesmo ofegando em horror perceber que se tornou parte da conversa normal.
NORMAL é a cada ano que chegar você ficar com a difícil tarefa de saber como honrar a memória de seu filho, de seu aniversário e principalmente a como sobreviver naqueles dias.
NORMAL é uma nova amizade com outra mãe enlutada, fazer reuniões durante o café, falar e chorar juntos sobre seus filhos e preocupar-se uma com a outra em como sobreviver.

NORMAL é estar sempre muito cansada para se importam se você pagou suas contas, limpou a casa, lavou a roupa ou se há comida em casa.

NORMAL É SOBREVIVER E NÃO MAIS VIVER...



Quem me conhece e convive comigo sabe que sou exatamente assim, "normal"
E me sentir normal é:

É escolher vazinhos de flores em miniatura para levar ao cemitério no natal.

É recusar convites para festas, ou ir por obrigação, e mesmo sorrindo para as pessoas só eu sei como realmente me sinto por dentro.
É tomar conhecimento de morte de uma criança e não sentir espanto, sentir dor, mas sobre tudo pensar que faz parte, "com minha filha também foi assim".
É sentir dor em todos os lugares onde as pessoas se reúnem, o pensamento insistentemente é, se ela estivesse aqui estaria fazendo isso, aquilo, agindo dessa maneira, ou daquela ou apenas dormindo em meus braços ou nos braços do Papai. Quando a noite cai os pensamentos ficam mais evidentes e os porquês teimam em atormentar meu sono.
O silencio também aceleram meus pensamentos, faz crescer minha angustia, aumenta a raiva pela vida que fora tirada de mim.
Falar de minha filha é manter lucida minha mente, é aliviar meu coração, e desabafar minha alma cansada e sobrecarregada.
É revelar fotos, é colocar em quadros, é escrever em blog, é participar de grupos de apoio, é gritar ao mundo meu amor.
É sofrer mais nos dias 05 e nos dia 15 (datas do nasc. e partida)
É se frustar com antigos amigos que não são capazes de entender minha dor, é virar melhor amiga de infância de mães que também perderam seus filhos, que sentem dor, saudades e amor como eu.


É realmente me sentir cansada para a viver!!!



E mesmo cansada, insisto em viver, mesmo que esse viver seja de passado, de lembranças vividas e não vividas, de sonhos, de esperança, de saudades e de amor. Amo-te minha linda Letícia.

Um comentário:

Marla Desanoski disse...

Amiga, realmente é tudo isso mesmo, então também sou uma mãe normal também, sabe não que seja infeliz, não posso dizer que sou infeliz, tendo um marido que me ama e dois filhos lindos que são hiper carinhosos comigo, seria injusto da minha parte, mas com certeza serei sempre uma pessoa incompleta, não tem como eu ser feliz como eu era antes, o meu caçulinha, o filho que seria meu xodozinho, querendo ou não o caçula é sempre mais paparicado, tenho certeza que vc concorda comigo...até hoje, depois de dois anos o que mais me judia e imaginar, como ele estaria hoje, com certeza seria arteirinho, tomando os brinquedos de teus irmãozinhos rsrsr, com certeza eu estaria ainda amamentando, pois quando estava gravida dele eu falava, o Miguel eu vou amamamentar até ele enjoar, amava dar mamar, foi um dos prazeres da minha vida, ai amiga é duro viver de imaginação, eu sofro muito ainda... mas eu entendo a cada palavra do que disse, pois eu sinto tudo isso...e me solidarizo á vc, vcs mamães de anjos, se tornou uma das minhas melhores amigas, depois que a gente sofre esta terrivel dor, o rumo de conversa é outro, onde poucas pessoas nos compreende, acha que a gente está mormurando, esta reclamando da vida, mas não, é uma maneira da gente viver os nossos filhos que já partiram...Saudades de falar com vc, mil bejos pra ti, amovc <3