Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Saudade de mãe.



Saudade de mãe órfã deveria ter nome de um transtorno emocional.
Um transtorno único, singular...
Um transtorno tratado dolorosamente pelo tempo, e só o tempo.
Por outro lado, o tempo trata, mas provoca sérios e irreversíveis efeitos colaterais.
Como todo remédio.
... O tempo que cura uma ferida e abre outra.
A ferida da saudade, que se renova dia a dia...
E essa ferida nunca cicatriza...
E Inflama a cada PÁSCOA,
A cada ANIVERSARIO,
A cada DIA DAS MÃES...
Talvez devesse ter nome de uma doença cardíaca,
que dói o peito quando os buscamos e não podemos encontrar.
Que o aperta sempre que nos deparamos com um objeto que lhe pertenceu. Que falta o ar quando ouvimos alguém chamar pelo seu nome...
Que acelera o coração quando vemos alguém parecido...
Que dispara os batimentos quando sonhamos com nossos rebentos.
E nos traz a calma ao despertar depois de um doce sonho. E o desespero de não encontrá-los... ver que foi somente um sonho...
Ou quem sabe o nome da saudade de mãe seria um GRITO?
Um grito silencioso... sem o poder da voz que já se calou.
Um grito sem os timbres que se arrebentaram.
Um grito da voz que só nos, mães órfãs, ainda ouvimos.
Saudade de mãe órfã é uma dedicação de vida.
De 24 horas de vida.
É ar! É o nosso oxigênio!
Não um sentimento, mas uma sobrevivência.
De mante-los vivos! Vivemos de lembranças...
Saudade de mãe órfã é um alimento.
Um alimento tão importante quanto aqueles que entram em nosso aparelho digestivo.
O alimento da mãe órfã nutre o seu coração...
Ainda que ele doa, a cada colherada.
A digestão e dolorida, mas necessária e inevitável.
Saudade de mãe órfã é parir todos os dias.
É gerar seu filho novamente a cada minuto de sua vida.
E reviver a alegria de vê-lo nascer outras vezes...
Mas também reviver diariamente as dores das contrações.
Saudade de mãe órfã é materializada.
É palpável!
Podemos tocá-la e andarmos lado a lado.
De mãos dadas até a eternidade.
Saudade de mãe órfã é a mão de nossos filhos.
A única sensação quase substituta da sensação da maternidade.
A única esperança.
A única maneira de tocá-los.
A única visão, o único olhar...
Saudade de mãe órfã é tão sobrenatural,
Tão acima do que se possa suportar...
A saudade da mãe órfã abre as portas do alem...
É mais forte do que o aquém.
Mais poderosa do que a morte.
Ultrapassa as barreiras do impossível para continuar a existência do AMOR MUTUO e ETERNO.
A saudade que sinto por ti, me mantem de pé, viva, mais perto de ti...
Saudade essa que é maior do que todas as coisas, supera todas as coisas, só perde para o amor...
Ahhh como te amo minha filha querida, minha pequena Letícia...
Ahhh como amo amar você!!!

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