Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Doces e verdadeiras palavras da mamãe do Anjo Vitória.

Inconsolável pela terrível perda da Stellinha, filha da minha amada amiga Flávia Arnald, completamente abalada e sem forças até para falar ou escrever me deparei hoje com um belíssimo texto cheio de amor e ternura escrito pela linda Joana mamãe do Anjo Vitória e do fruto de seu ventre Beijamin, compartilho porque fiz das palavras dela minhas próprias palavras.

Benjamin. Esse é o nosso presente de Deus que está crescendo, guardado junto de mim para, logo mais, em fevereiro, estar conosco, descobrir o mundo, desbravar a vida. Será sempre muito amado e querido!

Ele já vive. Há 6 seis meses seu coraçãozinho bate forte, e ele cresce, se movimenta, vira pra lá e pra cá. Há algum tempo já sinto sua presença, no começo discreta, e cada vez mais marcante, com chutes, pulos, piruetas e sabe-se mais o que ele é capaz de fazer dentro da sua casinha de água, calor e aconchego materno.

Não é frequente, mas às vezes choro, e ele sente... Quando me alimento, lá está ele experimentando as sensações, sendo nutrido, e parece até que prefere alguns alimentos! Também se manifesta sempre que acordo ou vou deitar, fica se ajeitando e remexendo.

Em muitos aspectos essa nova gestação está sendo bem diferente. Mas alguns sintomas também já são conhecidos e não causam surpresa, afinal não faz tanto tempo assim que sua irmãzinha estava ali, nesta mesma casinha, crescendo envolvida em tanto amor, até cumprir toda a sua jornada, dentro e fora do útero. São irmãos, têm o mesmo sangue, vieram do mesmo ventre, e isso me faz amá-lo ainda mais.

Por um lado, confesso que não é fácil vivenciar uma nova gestação após perder um filho. Após receber um diagnóstico de grave malformação fetal. Após viver uma história tão intensa de amor, entrega, luta, dor e despedida. O coração fica um pouco cansado, arredio... Com medo de se entregar, de sofrer. Precisa reaprender a viver sem um pedaço muito importante, que faz muita, muita falta.

Às vezes parece que a gente já está vivendo os extras da vida, o posfácio de uma longa história que já acabou. E ao mesmo tempo, por isso mesmo, é tão maravilhoso ter um novo filho. Lembro quando ouvi seu coraçãozinho batendo pela primeira vez, mesmo em meio aos traumas e medos do que poderia vir pela frente, um frescor de vida e esperança me envolveu em sorrisos: há vida novamente em mim! Estou recebendo mais uma vez o privilégio e a responsabilidade de ser guardiã de uma vida. Que mesmo tão pequena e completamente imprevisível, sei que é forte e já tem dentro de si muito potencial. Só precisa ter seu tempo respeitado e protegido. Apenas uma das muitas lições que sua irmã me ensinou.

Recebi novamente um passaporte para essa montanha russa de emoções da maternidade. E alguns traumas e medos estão lá, latentes. Mesmo quando a gente acha que já superou, que já aprendeu o caminho, quando a gente menos espera, eles, os medos, mostram suas garras e ficam atacando nossa mente, nos invadindo de preocupações, de ansiedade. Às vezes parece que nem é verdade que ele já está aqui, que está tudo bem e que podemos preparar tudo para sua chegada definitiva.

Por isso, talvez, muitas vezes só quero ficar quietinha e sozinha, gerando a vida e gerando a mim mesma, novamente, como mãe. Deixando a vida crescer e mostrar a que veio, deixando Deus fazer seu trabalho no maravilhoso e misterioso silêncio da natureza.

Benjamin foi um dos filhos de Jacó, um dos patriarcas do antigo testamento, mencionados na Bíblia. Ele nasceu em meio a um momento de muita dor para toda a família. Sua mãe, Raquel, havia morrido logo após seu nascimento. Uma dor sem fim para quem ficou. Especialmente para quem a amava mais do que tudo, como seu marido. Pode parecer trágico escolher esse nome conhecendo uma história tão triste. Mas o mais belo é o seu significado. Jacó escolheu Benjamim, pois significa "filho da minha direita" ou "filho da felicidade". Ele decidiu que aquela nova vida não carregaria o luto, tristeza ou amargura de uma perda. Decidiu que tinha que continuar a ser feliz, e que aquele filho era um presente de Deus para seu recomeço.

Quem já teve que se despedir de um filho por meio da morte talvez entenda que, depois da morte de um filho, a gente morre um pouquinho também. Nunca mais seremos a mesma pessoa. Sempre haverá a falta deste filho tão querido. Mesmo que se tenha uma dezena de filhos, mesmo que a casa esteja sempre cheia, haverá sempre um espaço vazio, no quarto, na mesa, no carro, nos porta-retratos... No coração. Mas é preciso recomeçar, se dar o direito de reaprender a viver e, o mais difícil, reaprender a sonhar.

Nada nunca será mais como antes, e isso às vezes assusta. Mas acho que também renascemos um pouco com o nascimento de um novo filho. Tudo pode voltar também a ser bonito, doce e encantador. Não como uma substituição, não achando que pode ser o mesmo filho, que pode suprir as perdas ou completar o vazio deixado. Não, de modo algum. As cicatrizes de uma perda fazem parte da nossa história, da essência de quem somos e de quem nos tornamos. Ele será nosso segundo filho, igualmente amado, mas que também partilhará da nossa perda, da história de nossa família, que já é marcada por muitas alegrias e também tristezas, e partilhará da nossa esperança em Cristo e no reencontro.

Que ele venha não somente nos consolar, mas também surpreender nosso coração. Que possamos viver novos sonhos juntos, totalmente imprevisíveis, com maturidade, com coragem, com novas descobertas a aprendizados, com a direção e a proteção do nosso Deus. E com muito, muito amor. É tudo que temos. E é tudo que precisamos!

Seja bem-vindo Benjamin, nós já te amamos com todo nosso coração!



Postagem do blog 
http://amadavitoriadecristo.blogspot.com.br/2013/11/benjamin_12.html



Quando o coração aliviar um pouquinho volto aqui para contar a história da Stellinha, mamãe Flávia e meu elo de amor com elas.

Nenhum comentário: