Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Luto patológico "aquele por tempo indeterminado"

Na solidão da sua dor, só voce sabe a dimensão que ela tem, e por mais que você tente, não é possível compartilhá-la.
As pessoas que nos amam (amigos e familiares) tentam nos mostrar que tudo é passageiro, e a agente sabe que é. Mas existe uma eternidade ilusória no luto, na aceitação da perda, que é individual, solitária e que leva o tempo de cada um.
Nesse período a gente tenta de tudo: muda de cidade, de país, de religião,de médico, de trabalho, hábito alimentar, muda os percursos e sem saber, vamos mudando internamente.
O problema é que não percebemos (nem recebemos) os frutos da mudança enquanto vivemos o processo. Eles serão colhidos mais na frente.
A parte mais difícil é seguir caminhando, dar o primeiro passo. Entre a perda e o novo, existe um purgatóro de vazio (território de zumbis) que precisa ser atravessado. Como fazer isso sozinhos?
Não tenho a resposta precisa mas sei exatamente o que não funciona.
Não funciona procurar entender todos os motivos (os nossos, os do outro, da vida, do Universo) e tentar achar na explicação, a salvação que modifique a realidade que temos.
Não funciona brigar com a realidade e esperar um milagre. Milagres acontecem,sim, mas são raros e,convenhamos, difícil achar um Santo por aí que vai nos dar uma mãozinha nessas horas.

Não funciona fazer de conta que a dor passou e eliminá-la por uma medida provisória: a partir de hoje decreto eliminada minha dor! Isso só vai adiar o encontro, e a danada tende a se potencializar quando reprimida.

Não funciona um otimismo emprestado que camufla a dor. É como colocar band-aid em fratura exposta.
Na falta de outra, talvez a a solução seja mergulhar na dor e vivê-la até que ela passe. É como entrar no mar com a água bem fria. Se caminharmos em direção ao ponto mais fundo, tentando nos adaptar à temperatura, vai dar mais trabalho e pode faltar coragem. Se mergulharmos e pronto, é mais fácil e,ao emergir, quem sabe tenhamos nos livrado dos planos que fizemos, e estejamos prontos para a vida que nos espera.

Antonio Augusto



Um comentário:

Anônimo disse...

Acompanho seu blog mas nunca comentei. Creio plenamente que a linda Leticia guia seus passos e a ajudará a cuidar de suas três meninas (acho que Mariana já chegou,não?) e de seu esposo. Vocês merecem ser felizes, apesar da ausência física sempre sentida do Potinho de Ouro.
Rezo por vocês.
Margô Recife PE