Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

sexta-feira, 20 de junho de 2014

A culpa é das estrelas


Ontem assisti o filme “a culpa é das estrelas” acho que me arrependi... Não estava preparada!!!
No próximo filme com esse tipo de historia pensarei 2 vezes antes de me deixar levar pela curiosidade ou opiniões das pessoas.
Quase morri de tristeza, quase morri de chorar...
O filme conta uma linda e trágica historia de amor, quando os personagens principais são vitimas do câncer...
No decorrer do filme tudo indicaria que  Hazel morreria já que enfrentava o quarto estagio da doença, um câncer de pulmão, o mais agressivo que existe... já o namorado Augustus tinha feito tratamento e estava “curado” inevitavelmente o câncer dele voltou em metástase espalhando-se rapidamente por todo seu corpo, levando-o a morte em um período curto de tempo.
Doeu assistir o filme, não aceito a morte, embora ela faça parte da minha vida da pior maneira possível, fiquei a pensar naqueles que partem cedo demais deixando para trás seus sonhos, projetos de vida, etc... Me fez pensar na morte na adolescência, o fato de perder a vida na adolescência é tão cruel como em qualquer outra idade, a morte é cruel de qualquer jeito, mas sei la, de repente me veio em mente se a Letícia fosse adolescente quando partiu, lá no INCOR tantas crianças que tem o mesmo problema da Letícia superam a primeira cirurgia quando bebe, a segunda quando criança e acabam por perder a guerra na terceira cirurgia quando adolescente...
Esses dias li que a expectativa de vida do cardiopata é 30 anos....
30 anos, como assim?
Fiquei a pensar, a pessoa luta, sofre, volta a lutar e sofrer, vive uma vida de privações e sofrimento para chegar aos 30 anos e perder a guerra???
Cruel demais!!!
Que sentido tem a vida???
No entanto Letícia era uma bebe, minha bebe, quem sofreu ao vela partir cedo demais foi eu, não ela e isso alivia meu coração... Ela partiu para um lugar desconhecido, e isso não era sua preocupação, deixar essa vida para trás também não, pois nada ela conhecia dessa vida... E conhecendo historias de cardiopatas vejo que ela não perdeu grande coisa, a vida é realmente ruim quando se tem uma cardiopatia com a que ela tinha... Já se fosse mocinha teria tido medo, iria sofrer pelo desconhecido, por sonhos interrompidos, projeto de vida, amores... Confuso tirar conclusão de que foi melhor ou pior... A única certeza é que foi cruel comigo, a sensação que tenho é que fui eu a castigada, se for assim, ACEITO!!! Prefiro sofrer 1000 vezes mais do que vela sofrer.
Em fim, sofri também por pensar nas amigas  mães de anjos do grupo que perderam seus filhos com câncer... MALDITA DOENÇA!!! Quanto sofrimento ele causa antes de provocar a morte...
Confesso que senti-me novamente revoltada, angustiada, com raiva da vida...

Sinto muito pelas amigas, sinto muito por mim, sinto pelas vitimas de doenças fatais.
De qualquer modo tirei algo de bom do filme, a frase a seguir escrita por Hazel ao Augustus.

Não sou formada em matemática, mas sei de uma coisa: existe uma quantidade infinita de números entre 0 e 1. Tem o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma infinidade de outros. Alguns infinitos são maiores que outros. Um escritor nos ensinou isso. Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho de nosso conjunto ilimitado. Queria mais números!!! Mas, Letícia, meu amor, você não imagina o tamanho da minha gratidão pelo nosso pequeno infinito. Eu não o trocaria por nada nesse mundo. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso." #aculpaédasestrelas   

Grata por nosso pequeno Infinito amor da mamãe.
Brilha, brilha estrelinha, te amo para sempre ♥




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