Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

terça-feira, 3 de junho de 2014

A DOR DA PERDA -

Não existem palavras, línguas, gestos ou pensamentos que possam expressar este sentimento chamado "A Dor da Partida de Uma Filha Amada". Ela é tão profundamente dolorida e fere a alma com esmero desmedido, cortando lenta e dolorosamente com o lado cego da faca. A dor é fenomenal, incrivelmente dor, extraordinariamente dor, fatalmente dor. É dor, dor, dor, somente dor, nada mais que dor. E não cede, não acalma, não dá trégua. A alma se contorce, revolve, chora, berra e geme em lamentos surdos, que tomam o corpo, que fazem cambalear e entontecer o espírito. 
A dor da perda não tem som, não tem voz, e invade o âmago do ser silenciosa e cruelmente fazendo doer e adoecer o corpo. Massacra a alma a tal ponto de tudo ao redor perder o sentido. Tudo. Tudo perder o sentido e o brilho da vida.
Os olhos olham mas nada vêem, os ouvidos ouvem sem nada ouvir, os braços caem sem sentir qualquer amparo, qualquer sussurro de compreensão, de entendimento. Somente o gosto do sangue da dor é percebido no fundo do coração que sangra, falece e se afunda no fundo da terra, do pó. E tudo vira dor profunda e cortante como o fio de uma navalha. Os sentidos perdem a razão de ser. Robotizamos o corpo e caminhamos, perdidos e anestesiados de lá pra cá, de cá pra lá, desnorteados, confundidos, atordoados e completamente perdidos de nós mesmos. Esquecidos de tudo e de todos, menos da dor que rasga, dói e arranha o coração até o sangue jorrar em lágrimas profusas e gritos inaudíveis. 
A dor da perda cala fundo e faz sepultura da alma onde desejamos ardentemente nos enterrar, em silêncio absoluto, em escuridão infinda, em adormecer eterno. Faz desejar a morte e buscar o fim de tudo, inclusive de si mesmo, para calar... a dor...
Não existem palavras que definam a intensidade da dor da perda. Ela é tão incrivelmente dor que perdemos a definição e a expressão do que sentimos. Nada mais importa. Nada. A dor da perda é pesada demais. Impossível de se carregar solitariamente. Por isso, por tudo isso, havemos de buscar forças para suportar a dor da perda, por mais profunda, pungente e dolorida que seja, por mais aterradora e insensível...
Havemos de nos resguardar da dor, de acordar e lutar para viver, mesmo a alma em soluços, mesmo que o espírito, anestesiado pela dor, perca a vontade de lutar e continuar a viver... havemos de nos resguardar da dor no alento dos braços do Amor de Deus , que é o único que torna possível tudo, por ele, com ele, suportar...
Como suportar este momento da partida dos nossos filhos, eles não estão mas conosco, deixaram de existir entre nós. Como tirar o afeto (amor) que tínhamos depositado neles, não é algo fácil nem voluntário para uma mãe, porque envolve processos que estão fora da consciência e do coração, embora uma parte do nosso eu reconheça que os nossos filhos partiram , outra parte ainda mantém a presença deles. Como uma mãe poderá tirar o seu filho da sua vida, do seu viver, do seu coração, dos seus pensamentos, das suas lembranças, Como? Isto nunca acontecerá, aprenderemos a viver sem eles, e com o passar do tempo ainda continuaremos a amá-los.
Como é difícil desfazer das coisas que pertenceram aos nossos filhos, das roupas, dos calçados, dos objetos pessoais, enfim de tudo que foram do uso deles ao longo dos anos de existência em nosso meio. Como desfazer? É como estarem partindo pela segunda vez de nossas vidas. A dor não cede, não acalma, não dá trégua.
Ainda que o tempo passe e as estações mudem ainda sim sentirei saudade de ti...
Somente o amor é maior que a dor... Amo-te mais!!!

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