Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Um natal cheio de porques, um ano novo repleto de esperanças!

Porque dezembro é um mês tão difícil para mim? difícil entender, acho que natal, ano novo, festança, comilança, pessoas felizes, fazendo planos, consumindo... Sei la, olho para tudo isso e não vejo nada, nada de especial nesse més, pelo contrario, natal aumenta minha dor, faz latejar meu coração, outra questão que também não sou capaz de entender é, natal porque? por ser aniversário de Jesus? afinal o feriado existe por conta disso, lembro-me quando era criança, eu não entendia ao certo o motivo da festança no dia 25/12 mas gostava porque sabia que no natal haveria família reunida, comida boa, roupa nova, presente... aos poucos essa empolgação pelo natal foi passando, já adulta quando perdi minha mãe perdi também o gosto pelo natal ao lembrar o quanto ela gostava dessa data, o almoço especial que ela fazia, os presentes para os netos que ela comprava, puxa, natal sem minha mãe deixou de ser natal, mas em razão das crianças acabava sempre me animando na ultima hora e preparando a ceia de natal, comprando um presentinho ou outro para elas, quando estava gravida da Lele passei um natal feliz de barrigão e sonhando com o natal do próximo ano, imaginando-a engatinhando pela casa, já que estaria com 8 meses, bem isso não aconteceu, pelo menos não que meus olhos puderam ver... O primeiro natal sem ela foi desesperador, despachei as meninas para algum lugar e deitada sobre os braços do Ricardo chorei até o dia clarear, os natais seguintes foram menos trágicos mas não menos tristes, como um ritual no dia 24/12 levo flores para a sepultura, outra questão difícil de entender, o porque só no natal se acredito que nem mesmo no natal como nem em nenhuma outra data ela esteja la? esta no céu, eu acredito assim, não me desloco de minha casa para o cemitério em dia algum, finados nem pensar, odeio essa data, mas no natal religiosamente estou la, levo flores, limpo sua sepultura que graças a minha irmã esta sempre limpinha, enfeito com as florizinas, olho para o céu, converso com ela e choro feito uma louca... não sei o porque desse ritual, faço isso há 4 anos, sinto necessidade como água ao estar com sede de ir até la, acordo triste, deprimida, dor no coração, sentimento de revolta, e desabafo meu choro debruçada sobre sua sepultura, até quando não sei, depois disso me levanto, sinto me melhor, volto para casa e trato de deixar a casa em ordem imaginando que de alguma maneira ela possa vir ceiar conosco, estranhamente sinto a presença dela em nossa casa em todos os natais, sinto algumas vezes em outras ocasiões também, mas no natal é mais forte, porque??? se não considero a data? talvez pelo meu sub inconsciente acreditar que apesar de eu não gostar do natal ele continua existindo e independente de ser aniversário de Jesus é um dia que as pessoas consideram o dia da família e ela faz parte da minha.
Depois de ceíamos registramos um momento em que minhas 4 filhas estavam  juntas, Letícia em foto no quadro, em meu coração a certeza de que estava conosco em alma também.Se acredito realmente nisso???
Sim,
Eu acredito na força do amor, vejam, ela é a luz que nos ilumina...
2014 foi embora levando consigo um ano tumultuado, considerando pão que nunca nos faltou, a saúde que gozamos, o primeiro aninho da Mariana junto com todas suas descobertas, não tivemos la um ano muito bom, não que eu ambicione muito, mas que desejo do fundo do meu coração que 2015 seja melhor eu desejo, Peço que no quesito saúde não mude em nada, mas nos demais campos pode deve ser melhor, mais produtivo, mais lucrativo, menos tumultuado, que meu coração se acalme, aprenda a esperar e aceitar que não há outro jeito a não ser ter calma e paciência, que a saudade continue, mas que eu aprenda  a lidar com ela, que meu amor continue intacto e minha memoria a mantenha viva até o dia do nosso reencontro...
Que ela possa vir sempre nos visitar, que continue nos conduzindo com sua luz, graça e amor.
Sim,
Também acredito nisso com toda a força do meu coração....
Finalizo essa postagem com um texto ditado por Cissa Guimarães referindo-se ao seu intocável amor Rafael Mascarenhas...

Cissa Guimarães, 56 anos, concedeu entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo para 
falar de seu novo trabalho como produtora do espetáculo Doidas e Santas e acabou relembrando a morte do filho, Rafael Mascarenhas, ocorrida em 2010. O rapaz foi atropelado quando andava de skate no Túnel Acústico, na Gávea, no Rio.
Cissa contou que se irrita quando lhe dizendo que ela é um exemplo de superação.
— Realmente me irrita. Primeiro, porque não sou exemplo. Segundo, não superei e nunca vou superar. Sou aleijada. Meu coração anda de bengala, nunca mais vai ser um coração normal. Nunca mais vou ser 100% feliz na minha vida, nunca mais vou ter uma felicidade plena. Mas tenho minhas muletas, vou andar, vou ser 80% feliz, meu coração vai bater de muleta, mas vai bater. E vou fazer o possível para ele bater o mais forte possível. E feliz.
Cissa comentou ainda como lida com a dor dar perda.
— É claro que tem horas em que acabo ficando no escuro. Tenho compaixão comigo mesma. Busco cuidar dessa dor é minha para sempre. E é muito sagrada. Aceitei que estará aqui para sempre e abri um espaço para a felicidade. É o Rafa que me ensina o tempo todo. Não posso deixar, em nenhum minuto, de ter essa consciência, nem achar que vai passar ou negar a existência dessa dor.
Foram palavras ditas por ela e assinadas por mim, quanta verdade nessas palavras!!!
nunca vou superar. Sou aleijada. Meu coração anda de bengala, nunca mais vai ser um coração normal. Nunca mais vou ser 100% feliz na minha vida, nunca mais vou ter uma felicidade plena. Mas tenho minhas muletas, vou andar, vou ser 80% feliz, meu coração vai bater de muleta, mas vai bater. E vou fazer o possível para ele bater o mais forte possível. E feliz.
Letícia filha amada, quanta saudade e quanto amor mamãe sente por ti, minha melhor lembrança, meu incalculavel amor, minha Princesa, meu anjo, olhe por mim, daime forças e esteja comigo em todos os momentos, luz que me conduz... Amo imensuravelmente, amo incondicionalmente e amo majestosamente, minha pequenininha, meu cheirinho de suco de uva, minha estrelinha,meu potinho de ouro!!!

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