Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Nunca algo que li me chorar tão sincera e verdadeiramente.... Recomendo!

“Para quando eu me for”, um texto para quem não tem medo de se emocionar;

Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem.
Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus).
Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 27 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha 8 anos e meio, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não haveriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai.
Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Hábito esse que eu levei para os meus filhos. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta.
Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele.
Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda.
E de repente o ano que vem acabou antes de começar.
Minha mãe me pegou na escola e fomos ao hospital. O médico deu a notícia com toda a sensibilidade que um médico deixa de ter com os anos. Minha mãe chorou. Ela também tinha um pingo de esperança. Como disse antes, todo mundo tem. Eu senti o golpe. Como assim? Não era só uma doença normal dessas que a gente toma injeção? Pai, como eu te odiei. Você mentiu pra mim. Não fiquei triste, pai, fiquei com raiva. Me senti traído. Gritei de raiva no hospital até perceber que meu pai não estava lá pra me colocar de castigo. Chorei.
Mas aí meu pai foi meu pai de novo. Trazendo uma caixa de sapato debaixo dos braços, uma enfermeira veio me consolar. Dentro, dezenas de envelopes lacrados com frases escritas onde deveriam ficar os nomes dos destinatários. Entre as lágrimas e os soluços não consegui entender direito o que estava acontecendo. E então a mesma enfermeira me entregou uma carta. A única fora da caixa.
“Seu pai me pediu pra entregar essa pessoalmente e te dizer pra abrir. Ele passou a semana inteira escrevendo tudo isso e disse que era pra você. Seja forte.” Disse a enfermeira com um abraço.
PARA QUANDO EU ME FOR dizia o envelope que ela me entregou. Abri.

Filho,
Se você está lendo eu morri. Desculpa, eu sabia.
Não queria te dizer que ia acontecer, não queria te ver chorar. Parece que consegui. Acho que um homem prestes a morrer tem o direito de ser um pouco egoísta.
Bom, como eu ainda tenho muito pra te ensinar, afinal você não sabe de nada, deixei essas cartas. Você só pode abrir quando o momento certo chegar, o momento que eu escrevi no envelope. Esse é o nosso combinado, ok?
Eu te amo. Cuida da sua mãe, você é o homem da casa agora.
Beijo, pai.
PS: Não deixei cartas para sua mãe, ela já ficou com o carro.
E com aqueles garranchos, afinal naquela época não era tão fácil imprimir como é hoje em dia, ele me fez parar de chorar. Aquela letra porca que uma criança de 8 anos mal entendia (eu, no caso) me acalmou. Me arrancou um riso do rosto. Esse era o jeito do meu pai de fazer as coisas. Que nem o castigo com uma piadinha para aliviar.
Aquela caixa se tornou a coisa mais importante do mundo. Proibi minha mãe de abrir, de ler. Mas elas eram minhas, só pra mim. Sabia decorado todos os momentos da vida em que eu poderia abrir uma carta e ler o que meu pai tinha deixado. Só que esses momentos demoraram muito pra chegar. E eu esqueci.
Sete anos e uma mudança depois eu não tinha ideia de onde a caixa tinha ido parar. Eu não lembrava dela. Algo que você não lembra não faz falta. Se você perdeu algo da sua memória, você não perdeu. Simplesmente não existe. Como dinheiro que depois você acha no bolso da bermuda.
E então aconteceu. Uma mistura de adolescência com o novo namorado da minha mãe desencadeou o que meu pai sabia que um dia aconteceria. Minha mãe teve vários namorados, sempre entendi. Ela nunca casou de novo. Não sei ao certo o motivo, mas gosto de acreditar que o amor da vida dela tinha sido meu pai. Mas esse namorado era ridículo. Eu sentia que ela se rebaixava pra ele. Que ele fazia pouco da mulher que ela era. Que uma mulher como ela merecia algo melhor do que um cara que ela tinha conhecido no forró.
Me lembro até hoje do tapa que veio acompanhado da palavra “forró”. Eu mereci, admito. Os anos me mostraram isso. Na hora, enquanto a pele da minha bochecha ardia, lembrei da minha caixa e das minhas cartas. De uma carta em específico que dizia PARA QUANDO VOCÊ TIVER A PIOR BRIGA DO MUNDO COM A SUA MÃE.
Corri para o quarto e revirei minhas coisas o suficiente para levar outro tapa na cara da minha mãe. Encontrei a caixa dentro de uma mala de viagem na parte de cima do armário. O limbo. Procurei entre os envelopes. Passei por PARA QUANDO VOCÊ DER O PRIMEIRO BEIJO e percebi que havia pulado essa, me odiei um pouco e decidi que a leria logo depois, e por PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE, uma que eu esperava abrir logo, logo. Achei o que procurava e abri.
Pede desculpa.
Eu não sei o motivo da briga e nem quem tem razão. Mas eu conheço a sua mãe. Então a melhor maneira de resolver isso é com um humilde pedido de desculpas. Do tipo rabinho entre as pernas.
Ela é sua mãe, cara. Te ama mais do que tudo nessa vida. Sabe, ela escolheu parto normal porque alguém disse que era melhor pra você. Você já viu um parto normal? Pois é, quer demonstração de amor maior que essa?
Pede desculpa. Ela vai te perdoar. Eu não seria tão bonzinho.
Beijo, pai.
Meu pai passava longe de um escritor, era bancário, mas as palavras dele mexeram comigo. Havia mais maturidade nelas do que nos meus quatorze anos de vida. O que não era muito difícil por sinal.
Corri para o quarto da minha mãe e abri a porta. Já estava chorando quando ela, chorando também, virou a cabeça pra me olhar nos olhos. Não lembro o que ela gritou pra mim, algo como “O que você quer?”, mas lembro que andei até ela e a abracei, ainda segurando a carta do meu pai. Amassando o papel já velho entre os meus dedos. Ela me abraçou de volta e ficamos em silêncio por não sei quantos minutos.
A carta do meu pai fez ela rir alguns momentos depois. Fizemos as pazes e conversamos um pouco sobre ele. Ela me contou umas manias estranhas que ele tinha, como comer salame com geleia de morango. De algum modo, senti que ele estava ali. Eu, minha mãe e um pedaço do meu pai, um pedacinho que ele deixou naquele papel. Que bom.
Não demorou muito e li PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE.
Parabéns, filho.
Não se preocupa, com o tempo a coisa fica melhor. Toda primeira vez é um lixo. A minha foi com a puta mais feia do mundo, por exemplo.
Meu maior medo é você ler o envelope e perguntar da sua mãe antes da hora o que é virgindade. Ou pior, ler o que eu acabei de escrever sem nem saber o que é punheta (você sabe, não sabe?). Mas isso também não será problema meu, não é mesmo?
Beijo, pai.
Meu pai acompanhou minha vida toda. De longe, sim, mas acompanhou. Em incontáveis momentos suas palavras me deram aquela força que ninguém mais conseguia dar. Ele sempre dava um jeito de me arrancar um sorriso em um momento de tristeza ou de clarear meus pensamentos num momento de raiva.
PARA QUANDO VOCÊ CASAR me emocionou, mas não tanto quanto PARA QUANDO EU FOR AVÔ.
Filho, agora você vai descobrir o que é amor de verdade. Vai descobrir que você gosta bastante da sua mulher, mas que amor mesmo é o que você vai sentir por essa coisinha aí que eu não sei se é ele ou ela. Sou um cadáver, não um vidente.
Aproveita. É a melhor coisa do mundo. O tempo vai passar rápido, então esteja presente todos os dias. Não perca nenhum momento, eles não voltam mais. Troque as fraldas, dê banho, sirva de exemplo. Acho que você tem condições de ser um pai tão incrível quanto eu.
A carta mais dolorida da minha vida foi também a mais curta do meu pai. Acredito que ele sofreu para escrever aquelas quatro palavras o mesmo que eu sofri por ter vivido aquele momento. Demorou, mas um dia eu tive que ler PARA QUANDO SUA MÃE SE FOR.
Ela é minha agora.
Uma piada. Um palhaço triste que esconde o choro por trás do sorriso de maquiagem. Foi a única carta que não me arrancou um sorriso, mas entendi a razão.
Eu sempre respeitei o combinado com meu pai. Nunca li nenhuma carta antes do momento certo. Tirando PARA QUANDO VOCÊ SE DESCOBRIR GAY, claro. Nunca acreditei que o momento de ler essa carta chegaria, então abri muitos anos atrás. Ela foi uma das mais engraçadas, por sinal.
O que eu posso dizer? Ainda bem que morri.
Deixando as brincadeiras de lado e falando sério (é raro, aproveita). Agora semimorto eu vejo que a gente se importa muito com coisas que não importam tanto. Você acha que isso muda alguma coisa, filho?
Não seja bobo, seja feliz.
Sempre esperei muito pelo próximo momento. Pela próxima carta. Pela próxima lição que meu pai tinha pra me dar. Incrível como um homem que viveu 27 anos teve tanto pra ensinar pra um senhor de 85 como eu.
Agora, deitado na cama do hospital, com tubos no nariz e na traqueia (maldito câncer), eu passo os dedos por cima do papel desbotado da última carta. PARA QUANDO SUA HORA CHEGAR o garrancho quase invisível diz.
Não quero abrir. Tenho medo. Não quero acreditar que a minha hora chegou. Esperança, lembra? Ninguém acredita que vai morrer hoje.
Respiro fundo e abro.
Oi, filho, espero que você seja um velho agora.
Sabe, essa foi a carta mais fácil de escrever. A primeira que eu escrevi. A carta que me livrou da dor de te perder. Acho que estar perto do fim clareia a cabeça pra falar sobre o assunto.
Nos meus últimos dias eu pensei na vida que eu levei. Na minha curta vida, sim, mas que me fez muito feliz. Eu fui seu pai e marido da sua mãe. O que mais eu poderia querer? Isso me deu paz. Faça o mesmo.
Um conselho: não precisa ter medo.
PS: Tô com saudade.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

“É o amor que faz chegar a presença, mesmo quando só a ausência é o que temos.”

O luto parental desafia a vaidade de se perpetuar por meio da descendência. Perde-se a referência de futuro e das possíveis projeções idealizadas nos filhos. Evidencia a fragilidade da vida, assim como a ausência de uma sequência lógica diante da terminalidade. A morte do filho gera mudanças em todo o sistema familiar, repercutindo na relação do casal, dos pais com os filhos vivos e entre os irmãos sobreviventes. Há possibilidade da família se desintegrar, mas também de coconstrução de novos arranjos familiares.
Nosso desafio, há 17 anos, é aceitar e assimilar a morte de nossa filha caçula e prosseguir na vida, como casal; como pais de uma filha sobrevivente; como avós de uma neta de cinco anos, que está aprendendo a amar a tia invisível. Já escutamos inúmeras vezes, que superamos bem o luto. Esse trabalho não é de superação. A proposta é transformar separação em atitude vitalizada. Estímulo a aprendizados, sair da acomodação e ir além, buscando adaptação e renovação. Nesse tempo, muito trabalho e disposição para incluir outros enlutados e convidá-los a estar conosco nessa tarefa em que não se supera, mas repara, recupera, regenera, transforma e transcende a dor da perda.
O luto parental escancara a nossa condição de seres mortais, finitos e esgotáveis e nos apresenta a humildade para digerir essas circunstâncias. Há luto pela morte da ilusão de perfeição como pais; do controle sobre a vida das pessoas que geramos; dos inúmeros sonhos projetados e da falsa sensação de sermos, nós e nossos filhos, pessoas especiais, imunes a qualquer intempérie. O desafio é sobreviver, após a morte de filhos, como pessoas comuns. Essa realidade nos alerta de que não somos donos, mas guardiões da nossa prole. A proposta é evoluir, no processo, do luto à luta, reconhecendo que a dor nos move a aprender, a conectar com a coragem de viver, com a alegria, sem nos paralisar no sofrimento desmedido.
A posse não compreende perda. Ter o filho é diferente de termos a posse de sermos pais. Perdemos, fisicamente, os filhos, mas não perdemos a condição de sermos pais. É a relação amorosa que permite apreender a noção de transcendência na imanência, se manifestando na vida cotidiana. O propósito final da vida não é o de possuir coisas, é o de possuir a si mesmo, pelo exercício contínuo de fazer perguntas, que possam ampliar a consciência. Há perguntas que restringem tais como: Por que eu? Por que comigo? E se …? Mas há perguntas que ampliam: o que me sustenta? O que eu posso aprender de mim? Com quem posso contar? O que posso pedir? O que escolho renunciar? O que priorizo? O que faz sentido?
O desafio como pais é o de ser capaz de continuar a amar depois da perda física. O amor não é mais forte do que a morte, ele é, apesar da morte e fora do seu alcance. O amado foi embora, o amor não. Amor é a gratidão pelo convívio. Como disse Fábio de Melo, “É o amor que faz chegar a presença, mesmo quando só a ausência é o que temos.”

Eduardo Carlos Tavares e Gláucia Rezende Tavares (*)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Só enquanto eu viver...

Fabiana Gomes, esposa apaixonada do Ricardo, Mãe de meninas, Karol, Gabi, Letícia e Mariana. Escrevo esse blogger em memoria e por amor a uma delas, Letícia, muito conhecida pela família como "alegria plena" e pelos amigos virtuais de "Potinho de Ouro" (apelidada assim carinhosamente pelo Papai). Nasceu e Partiu em 2011, aos 6 meses de vida por complicações pós cirúrgica. Quando ela nasceu nossa família realizou-se, e quando ela partiu desestruturou-se, Papai precisou devolver sua unica filha aos céus, a Mamãe perdeu a razão, a noção, a logica, a percepção, a sanidade e a fé, e as irmãs perdeu de uma unica vez, a irmãzinha, o sonho cor de rosa, nossa neném, a alegria plena, o equilíbrio no lar, a estrutura emocional do padrasto, a fortaleza da Mãe. Perdemos tudo! Precisávamos do ar que nos faltava, de um tempo que não chegava, contamos com nossa família muito querida, amigos muito especiais, novos amigos virtuais (Mães de Anjos) tão quanto especiais, ajuda emocional, psíquica, alternativos e medicamentos,  tudo para nos manter de pé. Ao decorrer dos anos fomos recuperando tudo o que havíamos perdido, inclusive Letícia. Hoje quase 5 anos após, posso dizer que ela do alto do céu tem nos ajudado a viver! Não é fácil, ha sequelas, não porque queremos, mas porque somos humanos, não nascemos para enterrar filhos e sim para sermos enterrados por eles, mas seguimos e continuaremos a seguir em frente, um dia de cada de vez!
Do céu também enviou-nos Mariana, trazendo consigo alem da semelhança física e doçura de Letícia, um amor que cura, e tem nos curado a cada dia, desempenhando com perfeição sua missão.
Letícia é um Anjo, jamais vou entender o porque não pode ser apenas minha filha, as pessoas não entendem minha ligação a ela, minha inquietação relacionado a ela,  a quem me julga e critica, se pudessem ao menos imaginar a dimensão do meu amor, entenderiam...
O amor que sinto não cabe em mim, por isso escrevo, por isso exponho, por isso falo tanto, por isso grito, por isso, por isso, por isso...
Só enquanto eu viver...
Mas ha também os que me entendem, me apoia, me acolhe, me da colo, carinho, ouvidos, a quem goste de ler, quem se emociona, quem busca algo de nós, quem aprende algo, quem agrega algo, quem simplesmente nos ame por nosso amor. Sinto me grata, feliz, por que, haaaa, nosso amor é mesmo lindo!
Haverá um dia que deixara de ser triste para ser apenas lindo, esse dia ta chegando, quem acompanha do comecinho percebe a evolução, o que antes era apenas dor, tornou-se saudade, e hoje amor!
Por amor,
Por ama-la,
Por tanto, tanto ama-la um alguém chamada Letícia Novaes Gomes, eternamente minha!
ELA VIVE EM MIM!


sábado, 18 de junho de 2016

15 da Gabi

Gabriela, 
Chegou o seu dia! sei que a sementinha que diariamente eu plantei, está aí, guardadinho dentro de ti, onde situação alguma, tempo algum poderá mudar, sei que vc sabê! Sei que vc lembra! Sei vc sente! 
Talvez esteja escondida, talvez inibida, mas eu sei que nada se perdeu! Eu sei!
Não diferente dos últimos anos, um filme passou por minha cabeça, um filme grande de 14 anos, 9 meses e 9 dias, nesse filme vivemos uma vida, dividido por momentos, bons, ruins, alegres, tristes, felizes, dores, conquistas, perdas, amor, luto, saúde, doença, força, fraqueza, decepção, etc, etc, etc...Sempre movidas pelo incondicional amor! 
Vi por acaso esse texto, dia desses, e guardei para compartilhar com vc, adaptei, leia, eu te amo!
"Sou sua mãe, e isso não mudará! Se não fui absolutamente boa para você, eu tentei! e veja, não foi nada fácil:
Já senti o desespero de não saber o que fazer perante um choro...
Senti o medo arrepiar os pêlos na minha pele, perante a temperatura marcada em um termômetro.
Fiquei noites e mais noites, exausta, com as pernas trêmulas, tirando forças da própria alma, andando pela casa, com Você embalada em um cobertor.
Chorei todas as minhas lágrimas, sentada na beirada da cama, em meio ao sofrimento de amamentar, ou em meio a culpa de não conseguir amamentar.
Amassei as batatas, passei o feijão na peneira, bati o espinafre, me preocupei extremamente com o tempero e fiz vários, milhares, "aviões" de colher... 
Tudo para você cuspir depois... Tudo em vão...
Senti e ainda sinto medo do mundo, da violência, das guerras, das epidemias... 
Do seu futuro, meu futuro.
Segurei sua mão, amparei teus passos, lhe ensinei a falar... soletrei o "ma-mãe" o Ka-lau, e todo o resto.
Corri descalça, joguei bola, deitei no chão, lhe entreguei os meus batons e as minhas relíquias, e vi você os quebrar...
Eu não quis te deixar, fiquei em casa, chorei por não poder voltar ao trabalho.
E quando tive que voltar chorei por ter que te deixar...
Ensinei-a a pegar no lápis, a manusear a tesoura, a se defender a se levantar... briguei na escola, discuti com a diretora, e dei uns safanão no menino que te perseguia. Limpei teu nariz, cortei tuas unhas, penteei teus cabelos, e olhando dentro de seus olhos dizia que vc era a menina mais linda do mundo, da escola, vc se lembra?
A aquecia no inverno, e no verão também.
Senti vontade de fugir, sair correndo, jogar tudo para o alto, morrer e não morri por sua causa, por amor a Vc!
Chorei sozinha no banheiro, chorei sozinha no quarto, chorei enquanto preparava o jantar... Sem entender um motivo certo.
Perdi a paciência ... Gritei... Dei um tapa... Te sacudir... Gritei... Falei palavrões...
Chorei de novo.
Larguei o meu resfriado para cuidar do seu, larguei a minha vaidade para me doar para ti,
troquei a minha novela pelo seu desenho, deixei a minha vida para viver a sua.
Te carreguei no ventre, te carreguei no colo, te carreguei nas costas, te carreguei nos ombros, te carreguei na alma... Te cravei no meu coração.
Um dia você quis partir, e mesmo me rasgando a alma ... Você fui... quis impedir, não consegui, talvez eu adoeci, ou simplesmente não seja realmente uma mãe boa para você, deixei Você ir, não cabe a mim decidir mais.. Tenho em minha consciência que dei o meu melhor, mesmo errando muito errei!
Tudo que fiz, e o que não fiz... Foi por você.
Independente de ser certo ou não.
Foi tudo pensando em você.
Porque você é a minha vida, a minha razão, minha menina do meio.
Eu fiz porque nenhum prazer é maior que a sua felicidade.
Eu fiz esperando sim algo em troca, seu esforço, sua dedicação para com vc própria, um dia não estarei mais aqui, e essa sempre foi minha grande preocupação! 
Eu fiz porque eu te amo!
Eu fiz porque você é minha filha!
Eu fiz porque eu sou sua mãe!"


Parabéns, festeje seu dia hoje, te espero amanhã para abraça-la conforme o combinado, obrigada por sua compreensão, seja feliz, tenha um lindo dia, um lindo conto de fadas, eu te amo!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

REABILITAÇÃO

Já fui do céu ao inferno... tive o mundo em meus braços e de repente fui arremessada ao olho do furacão, a vida tem me obrigado a recomeçar, voltar para o inicio, para linha de largada...
E tem sido um recomeço dolorido e até cruel, tenho sofrido metamorfoses, fui quebrada em mil pedaços e é impossível juntar todos, Pois quando faltam poucos cacos, espatifam-se tudo novamente.
Mais do que as historias incríveis daqueles que venceram começando do nada, hoje aprendi a admirar muito mais aqueles que venceram depois de ter perdido TUDO QUE MAIS AMAVAM...
Recomeçar sem esperança... sem sonhos... sem a costumeira alegria... sem quem mais amamos!?
É uma estrada longa e cheia de curvas e obstáculos... e um exército diário, é reaprender a viver, reaprender a sorrir reaprender a reconhecer e apreciar as cores...
É LITERALMENTE UM PROCESSO DE “REABILITAÇÃO”...
É um tal de luta e desiste, de lagrimas e sorrisos, de fé e revolta, de cai e levanta, de esperança e desesperança... Pois Perde-se e ganha! Ganha-se e perde, tudo um processo rotineiro do faz parte da vida!
Por hoje, juntei os pedaços, cai mas levantei.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O luto me fez falar, mas o desgosto emudeceu-me!

O luto me faz falar, nunca me expus tanto em toda a minha vida como após a partida de Letícia, é algo que transborda em palavras e para que não me sufoque eu aprendi a gritar, mesmo que silenciosamente através de minhas escritas, sejam elas no blog ou em minha pagina pessoal do facebook. O engraçado é que eu escrevo sem saber se irão ler, e na verdade isso pouco me importa, o importante para mim é desabafar. Faço isso, ou morro sufocada.
A principio a confusão era total, sofri um apagão no momento em que me disseram que minha filha havia partido, tudo ali perdeu o sentido, tudo havia perdido a razão... Ao decorrer dos anos, coisas, e sentimentos vem clareando em minha mente, aos poucos consigo entender certas coisas, outras tenho certeza que morrerei na ignorância, de qualquer forma sinto-me mais esclarecida sobre a questão do luto e entendo o que aconteceu fisiologicamente com minha filha, o que a levou a óbito. isso não significa que eu aceite. embora minha aceitação não interfira no ciclo da vida e da morte. O fato é que, a partida da Letícia trouxe-me o sofrimento da piedade, busco-a em minha memória e penso, porque não esta aqui, crescendo ao meu lado?. Trouxe-me o mais sincero sentimento da saudade, nunca senti tanta falta de alguém, Trouxe-me o mais profundo sentimento do amor reprimido em meu peito, é tanto amor, que não cabe, imagine uma mala de viajem, encha-a até que vaze pelos lados, extrema tudo e depois sente em cima para fechar, com a ajuda de varias pessoas feche-a com tanta dificuldade que o zíper se rompera, assim é meu amor exprimido em meu peito, ele não cabe em mim! Lidar com todas essas sensações não é nada fácil. Por muitas vezes sentir-me vitima da vida, coloque-me no lugar de vitima, vitimizei-me propriamente falando, acreditando ser essa a pior sensação do mundo. Pois, veja bem, o que pode ser mais esplendoroso na vida de uma mãe?
Seus filhos!
E o que pode ser mais escabroso na vida dessa mesma mãe?
Perder esse filho.
Mas Letícia, minha menininha linda, de cachinhos definidos e cheirinho de uva, foi morar no céu, não foi escolha sua, partiu e antes de partir trouxe-me alegria plena, ao partir amor profundo. Minha menina linda, do outro lado da vida consegue se fazer presente em minha vida, sinto sua presença, sua plenitude e isso apesar da saudade acalenta-me, ela própria me consola e pensar nela é mergulhar em momentos de mais pura alegria plena, aquele olhar, aquele sorriso... meus Deus, fora tudo real, ela nasceu e viveu para mim, transformou-se em minha mais doce lembrança.
O luto me fez falar...
A vida não parou...
Sou mãe de outras filhas e das mais velhas, fui por muito tempo mãe e pai!
O desgosto me emudeceu!
Ser mãe e Pai, dedicar-se,  ensinar princípios, ser a  base,  exigir que se torne uma pessoa do bem.
#Adolescência #Ilusão #Deslumbre
Onde foram parar todos meus ensinamentos, para que serviu todo o meu esforço???
Existe sim, dor maior que o luto!
A Ingratidão Calou-me!
E dessa vez, não mais me vitimizarei... Descobri que a vida pode ser pior do que a morte....
Sinto medo do futuro, não ousarei dizer que essa é uma fase ruim, em imaginar o que de pior poderá estar por vir...
Cansada de viver...
E ainda sim, o mesmo anjo ha de segurar em minhas mãos!
Porque em meu ventre gerei 4 e ainda que uma more no ceu e outra me vire as costas, continuo com saldo positivo a dedicar-me de corpo e alma, continuo a acreditar que vale a pena, continuo a amar incondicionalmente vidas minhas!