Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sobre Paciência e memória

Paciência, sim, paciência com meus dias de dor, meu mundo precisa ser redescoberto, meus dias reinventados, difícil abrir armários que guardam cheiros,
tirar as roupas, os sapatos, os perfumes,
todo esse mundo físico que me conta sobre quem partiu, minhas mãos estão perdidas, meus pés vacilantes, minha casa e meu coração silenciosos,
Paciência, com a minha voz que fala o nome dela, repete tantas e tantas histórias, resgata na memória os alívios, nas lembranças, um jeito de acomodar esse amor, me perdoem, não posso deixa-la partir definitivamente, preciso de partes dela no que sou,
Paciência, sim, paciência com esse amor reinventado...

(Teresa Gouvea)

Nenhum comentário: