Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quando um filho parte...

O amor, intenso, delicadamente pediu licença para se misturar à dor. No meio da dor, lembrou-se dos sonhos esquecidos, lembrou-se do filho, do namoro que ele mantinha com a vida, sorrindo. Sentiu paz, apesar da dor, sentiu alegria. Sentiu tanto amor que agradeceu pela estadia, agradeceu a memória: da voz, do jeito de andar, das histórias vividas, das músicas que ele ouvia, dos tênis e roupas espalhados pela casa, dos amigos que haviam passado por ali, das fotografias. No meio da dor, lembrou-se do sorriso do filho. Todas essas memórias viraram alimentos, daqueles que enchem o coração e a alma. Alimentada com as lembranças mais doces desse filho, juntou os sonhos esquecidos e pegou uma carona com a vida, chorando, mas sorrindo.

(Teresa Gouvea)

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