Postagens mais visitadas

Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

Pesquisar este blog

Todos os dias ela vive em mim, mas datas invade-me!
Dia 05/04 ela nasceu, eu me permito sentir todas dores, mas acima de tudo "Gratidão"
Dia 15/10 ela foi para o céu, e eu sou revolta, questionamentos, mais ainda sou amor!
Maio mês das mães, das flores, do meu nascimento e nesse mês, ela é ainda mais minha!
Dia 25/12 é natal, dia em que faço meus pedidos, de misericórdia, compreensão e força!

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Sobre saudade e paz

Meu amor, sua ausência traz essa sensação que podia ter tido mais, muito mais...um gosto de lugares interrompidos, como aquelas flores que estão crescendo e, num dia qualquer, chega uma tempestade e desconsidera a vida que ainda estava por ali.
Amanheço devagar, longe do mundo, nesse universo particular, inundado de amor e saudade. Transbordam perguntas sem respostas. Sinto falta de você e andando por esses lugares, de vez em quando, tento explicar o que não se explica. Nessas horas converso com a vida, silenciosamente te falo das tristezas que me espiam...
Me aquieto, corpo e alma, um jeito de dizer que sigo acreditando na sua paz. Meu amor, me ilumina, me conta da vida que segue, do dia que amanhece, dos passos que andam, das mãos que abraçam, meu amor me dá clareza dessa honra que é viver, olhar em volta e saber que sempre haverá amor ligando quem a gente ama, aqui ou onde meus olhos não alcança...

(Teresa Gouvea)

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Normal

Me sentir normal é:
É escolher vazinhos de flores em miniatura para levar ao cemitério no natal.
É recusar convites para festas, ou ir por obrigação, e mesmo sorrindo para as pessoas só eu sei como realmente me sinto por dentro.
É tomar conhecimento de morte de uma criança e não sentir espanto, sentir dor, mas sobre tudo pensar que faz parte, "com minha filha também foi assim".
É sentir dor em todos os lugares onde as pessoas se reúnem, o pensamento insistentemente é, se ela estivesse aqui estaria fazendo isso, aquilo, agindo dessa maneira, ou daquela ou apenas dormindo em meus braços ou nos braços do Papai. Quando a noite cai os pensamentos ficam mais evidentes e os porquês teimam em atormentar meu sono.
O silencio também aceleram meus pensamentos, faz crescer minha angustia, aumenta a raiva pela vida que fora tirada de mim.
Falar de minha filha é manter lucida minha mente, é aliviar meu coração, e desabafar minha alma cansada e sobrecarregada.
É revelar fotos, é colocar em quadros, é escrever em blog, é participar de grupos de apoio, é gritar ao mundo meu amor.
É sofrer mais nos dias 05 e nos dia 15 (datas do nasc. e partida)
É se frustar com antigos amigos que não são capazes de entender minha dor, é virar melhor amiga de infância de mães que também perderam seus filhos, que sentem dor, saudades e amor como eu.
É realmente me sentir cansada para a viver!!!
E mesmo cansada, insisto em viver, mesmo que esse viver seja de passado, de lembranças vividas e não vividas, de sonhos, de esperança, de saudades e de amor. 

domingo, 13 de maio de 2018

Saudade é apenas saudade

Saudade de uma mãe, não deveria chamar-se saudade.
Saudade é apenas saudade...
Saudade da mãe é muito mais do que saudade...
Os homens que criaram as palavras , não geraram, acalentaram e entregaram um filho à Deus.
Não souberam encontrar uma palavra que descrevesse a saudade de uma mãe orfã.
Essa, não se chama saudade...eu sei!
Pois já senti outras saudades. Daquela saudade descrita no dicionário.
Não...não é igual. Sequer se assemelha...
Também não é um stress físico, porque nenhuma rede num bosque pode acalentá-la.
Nem mesmo um cruzeiro nas ilhas paradisíacas do mundo a fora...
Com certeza também não é um stress emocional, porque não é passageiro.
Trata-se de um stress crônico, e que se estenda até o reencontro.
Saudade de mãe órfã não se limita a ausência física.
Ainda que essa ausência machuque.
Ela vai mais longe. Muito mais...
Não bastaria o toque para supri-la .
Ela se estenderia ate que o toque fosse pleno e perpétuo.
Ainda que um só toque fosse motivo de êxtase.
Saudade de mãe deveria ter nome de um transtorno emocional.
Um transtorno único, singular...
Um transtorno tratado dolorosamente pelo tempo, e só o tempo.
Por outro lado, o tempo trata, mas provoca sérios e irreversiveis efeitos colaterais.
Como todo remédio. O tempo abre cada vez mais a ferida.
A ferida da saudade, que se renova dia a dia...
E essa ferida nunca cicatriza...
E Inflama a cada Natal,
A cada aniversário,
A cada Dia das Mães... (autoria desconhecida)

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Pedidos simples de pais enlutados:

1. Eu desejo que você não tenha medo de falar o nome do(a) meu filho(a) perto de mim. Meu filho viveu e foi importante e eu preciso ouvir o nome dele / dela.
2. Se eu chorar ou me emocionar, podemos conversar sobre isso.. meu filho, eu queria que você soubesse que é não é porque você tenha me magoado. O fato de que meu filho partiu causou minhas lágrimas. Você tem me permitido chorar e eu lhe agradeço. Chorar e emoções inesperadas fazem parte do processo da minha dor.
3. Gostaria que você não ignorasse ou agisse como se meu filho nunca existiu, removendo de sua casa seus quadros, obras de arte ou outras lembranças desta pessoa muito especial que viveu e fez uma contribuição para todas as nossas vidas.
4. Vou ter altos e baixos emocionais, altos e baixos. Eu não queria que você pensasse que ser eu tiver um bom dia meu luto está acabado, ou que se eu tiver um dia ruim eu preciso de aconselhamento psiquiátrico. Meu humor se tornou instável e imprevisível, da alegria ao desespero, e é tão imprevisível para mim, como para você. Isso faz parte da minha nova vida "normal".
5. Eu queria que você soubesse que a morte de uma criança é diferente de outras perdas e deve ser visto em separado. É a maior tragédia na vida de uma pessoa. Eu queria que você não a comparasse com a sua perda de um pai, um amigo, um cônjuge ou um animal de estimação.
6. Ser um pai ou mãe em luto em não é contagioso, então eu queria que você não fugisse de mim. Eu preciso de você e você precisa de mim.
7. Eu queria que você soubesse que todas as reações "loucas" de luto que eu tenho são, na verdade, muito normais. Depressão, raiva, frustração, desesperança e questionamento de valores e crenças são esperadas após a morte de uma criança.
8. Eu queria que você não esperasse que minha dor já estivesse acabada em seis meses. Por favor, não ache que exista um "período de tempo" e eu me torno um pai/mãe “ex-enlutado(a)", mas eu estarei doente para sempre me recuperando dessa tragédia em minha vida. Por favor, não me diga como eu deveria "lidar" ou que "é hora de seguir em frente" ou "um dia haverá a superação do meu sofrimento". A palavra “superação "é um termo de mídia, moda, que é absolutamente completo sem sentido para nós.
9. Eu queria que você entendesse as reações físicas ao sofrimento. Eu posso ganhar peso ou perder peso, dormir o tempo todo ou não em todos, desenvolver uma série de doenças, ser propenso a acidentes ou esquecido (perder parte da memória), todos os quais podem estar relacionados com a minha dor. Eu posso tornar-me isolado e retirado por períodos de tempo. Eu posso até mesmo não ser capaz de falar nas chamadas de telefone, celular, ou dar retorno a ligações, mensagens...e isso tem a ver com minha dor, não com você.
10. Aniversário de nosso(a) filho(a), o aniversário de morte (dolorosa palavra) e feriados são tempos terríveis para nós. Eu gostaria que você nos dissesse que está pensando em nossos filhos nesses dias. E se eu ficar quieto e retraído, só saiba que estamos pensando em nosso filho e não tente forçar-nos a ser alegres. Se nada mais, eu queria que você chamasse de vez em quando e dizer "oi, eu estava pensando em você" ou apenas uma nota amigável ou palavra "só queria que você soubesse que eu estava pensando em você hoje e espero que as coisas estejam OK. "
11. É normal e bom a maioria de nós re-examinar a nossa fé, valores e crenças, depois de perder um filho. Vamos questionar as coisas que foram ensinadas todas as nossas vidas e, esperamos, chegar a algum novo entendimento com Deus. Eu queria que você me deixasse à vontade com a minha religião, idéias, sem me fazer sentir culpada.
12. Eu quero que você entenda que o luto muda as pessoas. Eu não sou a mesma pessoa que era antes que meu filho(a) morreu e eu nunca mais vou ser essa pessoa novamente. Se você continuar esperando e me incentivando a "voltar para o meu velho eu", você vai se decepcionar. Eu sou uma nova criatura, não por escolha, mas pelas circunstâncias, com novos pensamentos, aspirações, prioridades, valores e crenças. Por favor, tente me conhecer de novo ... talvez você ainda goste de mim.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

“É o amor que faz chegar a presença"

O luto parental desafia a vaidade de se perpetuar por meio da descendência. Perde-se a referência de futuro e das possíveis projeções idealizadas nos filhos. Evidencia a fragilidade da vida, assim como a ausência de uma sequência lógica diante da terminalidade. A morte do filho gera mudanças em todo o sistema familiar, repercutindo na relação do casal, dos pais com os filhos vivos e entre os irmãos sobreviventes. Há possibilidade da família se desintegrar, mas também de coconstrução de novos arranjos familiares.
Nosso desafio, há 17 anos, é aceitar e assimilar a morte de nossa filha caçula e prosseguir na vida, como casal; como pais de uma filha sobrevivente; como avós de uma neta de cinco anos, que está aprendendo a amar a tia invisível. Já escutamos inúmeras vezes, que superamos bem o luto. Esse trabalho não é de superação. A proposta é transformar separação em atitude vitalizada. Estímulo a aprendizados, sair da acomodação e ir além, buscando adaptação e renovação. Nesse tempo, muito trabalho e disposição para incluir outros enlutados e convidá-los a estar conosco nessa tarefa em que não se supera, mas repara, recupera, regenera, transforma e transcende a dor da perda.
O luto parental escancara a nossa condição de seres mortais, finitos e esgotáveis e nos apresenta a humildade para digerir essas circunstâncias. Há luto pela morte da ilusão de perfeição como pais; do controle sobre a vida das pessoas que geramos; dos inúmeros sonhos projetados e da falsa sensação de sermos, nós e nossos filhos, pessoas especiais, imunes a qualquer intempérie. O desafio é sobreviver, após a morte de filhos, como pessoas comuns. Essa realidade nos alerta de que não somos donos, mas guardiões da nossa prole. A proposta é evoluir, no processo, do luto à luta, reconhecendo que a dor nos move a aprender, a conectar com a coragem de viver, com a alegria, sem nos paralisar no sofrimento desmedido.
A posse não compreende perda. Ter o filho é diferente de termos a posse de sermos pais. Perdemos, fisicamente, os filhos, mas não perdemos a condição de sermos pais. É a relação amorosa que permite apreender a noção de transcendência na imanência, se manifestando na vida cotidiana. O propósito final da vida não é o de possuir coisas, é o de possuir a si mesmo, pelo exercício contínuo de fazer perguntas, que possam ampliar a consciência. Há perguntas que restringem tais como: Por que eu? Por que comigo? E se …? Mas há perguntas que ampliam: o que me sustenta? O que eu posso aprender de mim? Com quem posso contar? O que posso pedir? O que escolho renunciar? O que priorizo? O que faz sentido?
O desafio como pais é o de ser capaz de continuar a amar depois da perda física. O amor não é mais forte do que a morte, ele é, apesar da morte e fora do seu alcance. O amado foi embora, o amor não. Amor é a gratidão pelo convívio. Como disse Fábio de Melo, “É o amor que faz chegar a presença, mesmo quando só a ausência é o que temos.”

(Eduardo Carlos Tavares e Gláucia Rezende Tavares)

domingo, 15 de outubro de 2017

Pote de vidro

Assim minha alma é, um pote gigante de vidro...tudo nela já coube...tudo nela já foi preenchido...pequenas lacunas restaram e estas achei que demorariam a vida para serem preenchidas...eu estava errada...muito errada...não entendia nada da vida...como hoje entendo pouco...achei que já tinha sofrido...que já tinha doido...ah como eu não sabia de nada...fácil é pensar que sabemos...fácil é analisar, julgar ...mas viver...viver é infinitamente mais difícil...hoje sei o que é verdadeiramente a dor do vazio...do jamais...do impossível...Minha alma, meu pote de vidro, sentiu-se estilhaçado com a martelada da morte...nem sei onde meu cacos foram parar...tudo o que existia nele, convicções, fé, amores, amizades...tudinho...senti espalharem-se por todo canto e ao mesmo tempo em lugar algum...jamais consegui os achar de volta...meu vidro foi quebrado...brutalmente quebrado...não voltará ser inteiro como não conseguimos colar um vidro esmigalhado...sei que dia a dia, pedaço por pedaço estou me refazendo...devagar...com uma ajuda muito especial...a ajuda de um serzinho que vive no céu...Minha Joia Letícia, 2 Princesas que são minha ancora e um presentinho enviada do céu Minha doce Mariana ...escolhida por ela. Mas como um papel que é amassado, um vidro estilhaçado jamais volta a ser como no início, assim sou eu...não por não querer...não por não sentir saudade de ser intacto...mas não haver como...não haver remédio...não haver uma “cola” que nos faça ser como uma dia já fomos...inteiros.
Sentirei saudades deste tempo para sempre...o tempo que eu não sabia o que era sobreviver sem um pedaço do corpo...da vida...da alma...meu pedacinho!


 Por, Tatiana Maffin