Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

Amigos

domingo, 6 de agosto de 2017

Sobre saudade e paz

Meu amor, sua ausência traz essa sensação que podia ter tido mais, muito mais...um gosto de lugares interrompidos, como aquelas flores que estão crescendo e, num dia qualquer, chega uma tempestade e desconsidera a vida que ainda estava por ali.
Amanheço devagar, longe do mundo, nesse universo particular, inundado de amor e saudade. Transbordam perguntas sem respostas. Sinto falta de você e andando por esses lugares, de vez em quando, tento explicar o que não se explica. Nessas horas converso com a vida, silenciosamente te falo das tristezas que me espiam...
Me aquieto, corpo e alma, um jeito de dizer que sigo acreditando na sua paz. Meu amor, me ilumina, me conta da vida que segue, do dia que amanhece, dos passos que andam, das mãos que abraçam, meu amor me dá clareza dessa honra que é viver, olhar em volta e saber que sempre haverá amor ligando quem a gente ama, aqui ou onde meus olhos não alcança...

(Teresa Gouvea)

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