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Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

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Todos os dias ela vive em mim, mas datas invade-me!
Dia 05/04 ela nasceu, eu me permito sentir todas dores, mas acima de tudo "Gratidão"
Dia 15/10 ela foi para o céu, e eu sou revolta, questionamentos, mais ainda sou amor!
Maio mês das mães, das flores, do meu nascimento e nesse mês, ela é ainda mais minha!
Dia 25/12 é natal, dia em que faço meus pedidos, de misericórdia, compreensão e força!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Quanto inverte a lei da vida

Como definir algo que é incompreensível a mente humana, nascemos para enterrar nossos pais e sermos enterrados por nossos filhos, dói, mas essa é a lei natural, somos preparados inconscientemente para isso. E quando acontece a vida segue de modo natural. Quando ela se inverte perdemos completamente a percepção do que é real, não existe esclarecimento, tão pouco aceitação. Como aceitar algo que não compriendemos? Passamos a viver num mundo paralelo de total descontentamento, dor física e emocional,  sobretudo plena confusão mental.
Por Letícia!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Amanheço

Eu te amo, e de tanto amar, amanheço na sua ausência. Amanheço devagar, nessa certeza que não adianta pressa nos vazios. Faço as pazes com Deus molhando as plantas do meu quintal, sentindo o cheiro do café que faço, rindo quando te acho no meio das coisas da nossa casa.
Remexo nessas coisas, como se quisesse dar um jeito nas minhas incertezas. Te encontro nas miudezas dos meus dias. Faço pausas e me demoro nas fotografias, lugares que falam de tudo o que fomos, fico ali, passeio nas suas andanças por esse mundo, nas suas descobertas, comemorações de dias que escorregaram do meu contato, mas não do meu olhar.
Amanheço nos dias em que encontro ouvidos generosos, falo de você, uma fala que mistura riso e choro. Reviro esse desassossego, dou um sentido pra minha dor, sem pressa. Ali, horas tecendo histórias, parece que a luz entra no meu coração, te dou vida nessa despedida lenta, que mistura outro jeito de chegar.
Outros dias, amanheço arrumando seu quarto, nossa casa. Coloco aquelas músicas que você amava, aprendo a cantar, trago você pro meu mundo de um jeito delicado. Choro e canto, descobrindo seu coração nas canções que você cantava.
Meu amor, amanheço quando não findo esse amor, deixar você partir deixaria tudo muito escuro e eu preciso de sol, preciso de galo cantando na minha alma, de cheiro de café e de flores com sede. Amanheço, nos dias em que não nego sua partida, mas inauguro sua chegada nessas delicadezas, nas ruas da minha alma e dos meus dias, nesse amor infindável...

(Teresa Gouveia)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

TE AMAR COMO PUDER

Você não me deixou alternativa,
a não ser ver o coração transbordar.
E agora, enquanto eu estiver viva,
carregarei a vontade de te abraçar
Sempre penso no que posso fazer
para a distância não me impedir
de aproveitar o privilégio que é ver
seus olhos fazerem o sol se abrir!
É um desafio você longe de mim,
mas em pensamento estamos unidos.
Você não me toca e mesmo assim
me ilumina em todos os sentidos.
Gosto dessa emoção que me envolve,
seja lá a dificuldade que houver.
Com sua lembrança tudo se dissolve.
Só quero te amar como eu puder.

Flavia Camargo

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FELICIDADE QUE JUSTIFICA A EXISTÊNCIA


Cada vez que amanhece, os passarinhos,

sob o brilho do sol, saem de seus ninhos,
à procura de alimento, calor e inspiração 
para cantar e voar, explorando a imensidão.
Os rios descem as montanhas, rumo ao mar.
As árvores anseiam pela luz, para respirar.
Tudo na natureza busca aquilo que é seu fim.
Por isso, pensar em você é tão vital pra mim.
Não sou diferente de nenhum outro ser.
Se te levo sempre comigo, é para atender
a mais bela, essencial e  exigência:
sentir a felicidade que justifica a existência. 
Sua presença em minha alma me enriquece.
Você é a graça que meu coração não esquece.
Eu caminhar pelo mundo, sem esse amor,
seria como uma abelha viver longe da flor.




Flavia Camargo

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sobre tanto amor

E quando se faz noite...
visto meu silêncio, estendo um lençol de estrelas, me cubro de saudades, início conversas prolongadas, falo com a vida, falo com alguém muito Maior...
Aconchegada nessas memórias, choro e sorrio, chego e me despeço, meu jeito de rezar, meu jeito de espantar a minha dor,
quem sabe ela estranhe tanta ternura,
quem sabe fuja, e assustada com tanto amor, deixe espaço apenas pra minha saudade... 

(Teresa Gouvea)

domingo, 5 de abril de 2015

Quando um filho parte...

O amor, intenso, delicadamente pediu licença para se misturar à dor. No meio da dor, lembrou-se dos sonhos esquecidos, lembrou-se do filho, do namoro que ele mantinha com a vida, sorrindo. Sentiu paz, apesar da dor, sentiu alegria. Sentiu tanto amor que agradeceu pela estadia, agradeceu a memória: da voz, do jeito de andar, das histórias vividas, das músicas que ele ouvia, dos tênis e roupas espalhados pela casa, dos amigos que haviam passado por ali, das fotografias. No meio da dor, lembrou-se do sorriso do filho. Todas essas memórias viraram alimentos, daqueles que enchem o coração e a alma. Alimentada com as lembranças mais doces desse filho, juntou os sonhos esquecidos e pegou uma carona com a vida, chorando, mas sorrindo.

(Teresa Gouvea)