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Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

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Todos os dias ela vive em mim, mas datas invade-me!
Dia 05/04 ela nasceu, eu me permito sentir todas dores, mas acima de tudo "Gratidão"
Dia 15/10 ela foi para o céu, e eu sou revolta, questionamentos, mais ainda sou amor!
Maio mês das mães, das flores, do meu nascimento e nesse mês, ela é ainda mais minha!
Dia 25/12 é natal, dia em que faço meus pedidos, de misericórdia, compreensão e força!

sábado, 13 de maio de 2017

Quem nunca ouviu:
Jó tinha tudo, Deus tirou tudo, e Jó glorificou o nome dele, Deus então deu tudo em dobro para Jó.
Esta lá, nas escrituras!
Homem de fé, Deus o honrou!
Citação muito comum usada contra as mães em seus momentos de revolta, nos diminuindo, fazendo pouco da fé que tivemos e algumas ainda as mantém.
Um homem de tamanha fé foi honrado, nós mero mortais ao invés de seguir o exemplo, ficamos revoltadas.
Até que um dia, uma outra mãe de Anjo "Fernanda  mãe do Anjo Raphael"  refletiu sobre a citação e descobriu algo perfeito.
A citação diz, Deus o honrou dando a Jó tudo em dobro do que ele havia perdido, o dobro das propriedades, da criação, etc. Mas quando  chega na parte dos filhos está escrito que Jó teve ainda 7 filhos e 3 filhas, o que totaliza 10. Mas se ele perdeu 10, ele não tinha que ter recebido 20, por se tratar de o dobro? 
Pois é, tudo ele recebeu em dobro, inclusive os filhos, mas em uma matemática diferente. Ele não recebeu mais 20, porque filho não se substitui, também a morte é outro engano, a morte figurada existe, há despedidas e até funeral, enterramos nossos entes, porem a vida continua de uma outra maneira, e um  dia Jô iria reencontra-los. Então os que ele iria reencontrar um dia + os novos que chegaram totaliza os 20. 
No dia que li essa descoberta da Fernanda entendi, tudo passou a fazer sentido. Se engana quem pensa que mães que perderam seu filho e tiveram outros tempos depois sentem-se aliviadas, não pensem que no coração delas houveram essa substituição, tão pouco que deixaram de sofrer a morte daquele que foi para o céu. O coração dessa mãe continua a sangrar de saudades, tristeza e até revolta, existe sim, também uma felicidade absoluta pelo filho que chegou, ela finalmente compreende que agora são 2 a preencher o coração dela, um de saudades, outro de alegria, no meu caso 4. É grata pelo filho que chegou, mais em momento algum sentiu compensada. Filhos são únicos, jamais deixaram de existir porque morreram. Na matemática o cálculo é de soma. É conforme o tempo passa, a saudade aumenta, mas a revolta tende-se a diminuir e a gratidão por todos os filhos (vivos e mortos) a aflorar!
Jó perdeu 10 filhos, e tenho certeza, foi a pior coisa que o aconteceu, nas escrituras também está escrito que ele também questionou a Deus, chegou a amaldiçoar o dia em que nasceu. Deus o honrou dando-lhe a ele tudo em dobro do que havia perdido, menos os filhos, os filhos ele deu a mesma quantidade fazendo o entender que um dia teria os filhos tirados novamente, agora como ficou o coração de Jo ninguém sabe, eu posso imaginar, enquanto se alegrava com tudo em dobro que ganhava, enquanto agradecia os filhos novos que chegava, a saudade pelos filhos mortos com certeza o castigava. Ninguém supera a morte de um filho, porque seria diferente com Jó?
Jamais comparem o sofrimento de uma mãe que perdeu um filho com a conduta exemplar de Jó. Jó também agonizou a morte de seus filhos e jamais os substituiu. Jo também sentiu dor e revolta e aceitou pela esperança do reencontro.
Minha gratidão hoje é também a Fernanda que refletiu e desvendou o mistério. A mim foi de extrema importância, pois já podemos nos defender perante a conduta de Jo .
Antes disso quando vinham com o bla bla bla de Jó, eu já dizia logo, minha fe nao era a de Jó, e sim a de Lázaro, quando Jesus foi para ressussita-lo disseram:
Ele já cheira mal, e mesmo assim,

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Saudade cheia de amor

"É uma saudade tão minha. Tão nossa. Tão recheada de histórias. É uma saudade tão grande, tão presente, tão constante. É amor que se eternizou através de carinho, de sorriso, de passeios, de histórias na hora de dormir. É amor que ficou diante do tchau que eu não queria dar, diante do mundo de sonhos que imaginei. É uma saudade cheia de vida, de bons momentos, de carinho sincero, de felicidade que impulsiona. É uma saudade de criança que brilha nos olhos e aperta o coração. É saudade que não tem fim, que não dimensiona, que não termina. É a minha saudade cheia de cor. Cheia de A M O R!!!!"

_____ Marcely Pieroni Gastaldi

domingo, 25 de dezembro de 2016

Porque eu te amo

E porque tenho essa mania de te buscar, reviro gavetas e vasculho armários da memória, retiro a poeira do relógio, zombo das horas, espalho seu cheiro no meu coração, pulverizo seu rosto nos jardins da minha vida, componho canções internas em que ouço você, seus passos, sua voz, sua risada... E, porque tenho essa mania de amar, faço pouco caso da ausência e encho os meus dias de você, te imagino ao lado das estrelas, desenho raios de Sol em suas mãos, iluminando minha dor e minha saudade. E, porque te amo, reinvento.

(Teresa Gouvea)

sábado, 15 de outubro de 2016

Saudade é o amor que fica

Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (…) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes…
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além…
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.
Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de químicos e radioterapias.
Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
— Tio, — disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!
Indaguei:
— E o que a morte representa para você, minha querida?
— Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.)
— É isso mesmo.
— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
— E minha mãe vai ficar com saudades — emendou ela.
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
— E o que saudade significa para você, minha querida?
— Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.
Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade!
O amor que ficou é eterno.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Quanto inverte a lei da vida

Como definir algo que é incompreensível a mente humana, nascemos para enterrar nossos pais e sermos enterrados por nossos filhos, dói, mas essa é a lei natural, somos preparados inconscientemente para isso. E quando acontece a vida segue de modo natural. Quando ela se inverte perdemos completamente a percepção do que é real, não existe esclarecimento, tão pouco aceitação. Como aceitar algo que não compriendemos? Passamos a viver num mundo paralelo de total descontentamento, dor física e emocional,  sobretudo plena confusão mental.
Por Letícia!

terça-feira, 5 de abril de 2016

Amanheço

Eu te amo, e de tanto amar, amanheço na sua ausência. Amanheço devagar, nessa certeza que não adianta pressa nos vazios. Faço as pazes com Deus molhando as plantas do meu quintal, sentindo o cheiro do café que faço, rindo quando te acho no meio das coisas da nossa casa.
Remexo nessas coisas, como se quisesse dar um jeito nas minhas incertezas. Te encontro nas miudezas dos meus dias. Faço pausas e me demoro nas fotografias, lugares que falam de tudo o que fomos, fico ali, passeio nas suas andanças por esse mundo, nas suas descobertas, comemorações de dias que escorregaram do meu contato, mas não do meu olhar.
Amanheço nos dias em que encontro ouvidos generosos, falo de você, uma fala que mistura riso e choro. Reviro esse desassossego, dou um sentido pra minha dor, sem pressa. Ali, horas tecendo histórias, parece que a luz entra no meu coração, te dou vida nessa despedida lenta, que mistura outro jeito de chegar.
Outros dias, amanheço arrumando seu quarto, nossa casa. Coloco aquelas músicas que você amava, aprendo a cantar, trago você pro meu mundo de um jeito delicado. Choro e canto, descobrindo seu coração nas canções que você cantava.
Meu amor, amanheço quando não findo esse amor, deixar você partir deixaria tudo muito escuro e eu preciso de sol, preciso de galo cantando na minha alma, de cheiro de café e de flores com sede. Amanheço, nos dias em que não nego sua partida, mas inauguro sua chegada nessas delicadezas, nas ruas da minha alma e dos meus dias, nesse amor infindável...

(Teresa Gouveia)