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Bem ti vi

Para você, Letícia, meu Bem-te-vi".
Viste, hoje, o passarinho na janela?
Tão frágil, tão pequeno, tão delicada fera.
Parece procurar-te, de primavera, em primavera. Até pousar cansado, noutra janela.
Ouviste-lhe, acaso, o canto de saudade? Também eu te procuro minha bela.
Encontro-te no meu peito, fiz-te um ninho, aconcheguei-te no meu altar.
É que aquele passarinho na janela lembrou-me o dia que há muito já perdi.
Bem me quiseste, e tanto bem te quis...
Quiseste mais, eu sei, compreendi. Tu frágil, doce, bela...
Lembro-me de ti. Esquecer-te, meu amor, seria como me esquecer de mim.
É que aquele último dia cerrou-te os olhos delicadamente, e entre beijos eu te vi partir...
Voaste!... Voaste firme e decididamente.
De volta para dentro de mim,
E eu... Fiquei aqui, a lembrar-te de ti, a sonhar contigo, esperando o dia em que poderei te ter aqui, em meus braços para abraçar-te, beijar-te, beijar-te, beijar-te..
Te espero até depois do fim.

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Todos os dias ela vive em mim, mas datas invade-me!
Dia 05/04 ela nasceu, eu me permito sentir todas dores, mas acima de tudo "Gratidão"
Dia 15/10 ela foi para o céu, e eu sou revolta, questionamentos, mais ainda sou amor!
Maio mês das mães, das flores, do meu nascimento e nesse mês, ela é ainda mais minha!
Dia 25/12 é natal, dia em que faço meus pedidos, de misericórdia, compreensão e força!

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

FELICIDADE QUE JUSTIFICA A EXISTÊNCIA


Cada vez que amanhece, os passarinhos,

sob o brilho do sol, saem de seus ninhos,
à procura de alimento, calor e inspiração 
para cantar e voar, explorando a imensidão.
Os rios descem as montanhas, rumo ao mar.
As árvores anseiam pela luz, para respirar.
Tudo na natureza busca aquilo que é seu fim.
Por isso, pensar em você é tão vital pra mim.
Não sou diferente de nenhum outro ser.
Se te levo sempre comigo, é para atender
a mais bela, essencial e  exigência:
sentir a felicidade que justifica a existência. 
Sua presença em minha alma me enriquece.
Você é a graça que meu coração não esquece.
Eu caminhar pelo mundo, sem esse amor,
seria como uma abelha viver longe da flor.




Flavia Camargo

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sobre tanto amor

E quando se faz noite...
visto meu silêncio, estendo um lençol de estrelas, me cubro de saudades, início conversas prolongadas, falo com a vida, falo com alguém muito Maior...
Aconchegada nessas memórias, choro e sorrio, chego e me despeço, meu jeito de rezar, meu jeito de espantar a minha dor,
quem sabe ela estranhe tanta ternura,
quem sabe fuja, e assustada com tanto amor, deixe espaço apenas pra minha saudade... 

(Teresa Gouvea)

domingo, 5 de abril de 2015

Quando um filho parte...

O amor, intenso, delicadamente pediu licença para se misturar à dor. No meio da dor, lembrou-se dos sonhos esquecidos, lembrou-se do filho, do namoro que ele mantinha com a vida, sorrindo. Sentiu paz, apesar da dor, sentiu alegria. Sentiu tanto amor que agradeceu pela estadia, agradeceu a memória: da voz, do jeito de andar, das histórias vividas, das músicas que ele ouvia, dos tênis e roupas espalhados pela casa, dos amigos que haviam passado por ali, das fotografias. No meio da dor, lembrou-se do sorriso do filho. Todas essas memórias viraram alimentos, daqueles que enchem o coração e a alma. Alimentada com as lembranças mais doces desse filho, juntou os sonhos esquecidos e pegou uma carona com a vida, chorando, mas sorrindo.

(Teresa Gouvea)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

No meio desta escuridão eu ainda sou a luz!

...Seus sorrisos eram contagiantes , o riso cheio de uma profunda alegria, mal podiam acreditar em toda a beleza que estava diante dos seus olhos. Foram preenchidos com tanta paz que não sabiam o que dizer, nem se lembraram de nada ruim que teria os acontecido em qualquer outro lugar. Nesse instante uma menina arrecém chegada perguntou "- Onde estamos?", tão tranquila como um passarinho. "- Isso é o céu.", declarou um pequeno menino "- Nós vamos passar o Natal na casa de Deus."Quando estavam tentando entender e lembrar como foram parar lá, o que seus olhos viram era uma figura envolta em uma luz muito brilhante e transmitindo uma paz enorme: era Jesus, nosso Salvador, as crianças logo o reconheceram e reuniram-se ao redor Dele. Jesus olhou para os pequenos e sorriu, e eles sorriram de volta. Então Jesus abriu seus braços e os chamava pelo nome. Esse momento foi de intensa alegria, uma que só o céu pode trazer às crianças, cada um deles correu para os braços de seu Rei. Quando todos estavam aconchegados no calor do seu abraço, uma pequena menina virou e olhou para o rosto de Jesus e como se Ele pudesse ler todas as perguntas que ela tinha para fazer-lhe, Jesus sussurrou suavemente para ela...
"- Eu vou cuidar de sua mamãe e de seu papai."
Após dizer essas palavras Jesus olhou para baixo, na Terra, e viu toda a tristeza, toda a inconformidade e a dor nos pais dessas crianças, fechou os olhos e estendeu a sua mão, dizendo:
- Deixe meu poder e presença novamente agir nessa terra, que por hoje toda a dor e saudade sejam abafados pelo amor que tenho por vocês e que vocês tem por cada anjo lindo que está em minha presença.. cada mãe e cada pai sentiram-se invadidos por uma onda de ternura que tinha sabor de eternidade, uma beleza sem par.
e então em seguida, Ele e os nossos filhos levantaram-se e Jesus disse"Vinde, pois, meus filhos, vou mostrar lhes."A emoção encheu o espaço, alguns saltado e alguns correndo. Todos exibindo um entusiasmo que apenas uma criança pequena tem, então cada criança pode observar seus pais tomados por uma paz como a algum tempo não viam, esse foi o presente de Natal que cada anjinho deu aos pais, eles em pensamento agradeceram a Jesus, e ouviu-se Ele proclamar:
"Em meio a essa escuridão, eu ainda sou a luz."
Se uniram e foram para um lugar ainda mais belo e festivo para comemorar.

escrito por Tatiana Oliveira baseado no poema de camafeu Smith de Mt. Wolf, PA.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sobre o amor que vira luz

Meu amor, você parte, Abro espaços para que você ande na alma, conte sobre meus dias difíceis, abraços curtos, adeuses repentinos, vozes que aquietam, Aprendo na dor o sentido do amor, sobre o colo que não espera o amanhã, a vida interrompida enquanto almoçamos, o celular emudecido no meio da noite, Meu amor, você vira luz, me guia, clareia o sentido de amar, hoje, agora, sem esperas...

(Teresa Gouvea)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Definições sobre a morte de um filho

“Há palavras como viúvo ou viúva que designam aquele ou aquela que sobrevive ao seu cônjuge; e há palavras como órfão para nomear a perda precoce de um dos genitores. Mas para quem sobreviveu a um filho, não existe denominação alguma”. Em todas as pessoas que vivenciaram a perda de um filho - não importa a idade dele ou em que condições tenha ocorrido - o fato se caracteriza pela complexidade e grande sofrimento causado nos pais sobreviventes. Este tipo de perda é considerado avassalador, origem da desunião e até da destruição do vínculo matrimonial, inclusive familiar. Muitos especialistas têm discorrido sobre a perda, do ponto de vista psicológico; quanto às suas implicações, advindas da morte de um filho, estão longe de ser suficientemente tratadas. Imagino que isso se deva à angústia resultante de uma abordagem tão difícil, pois é de se esperar que os filhos sobrevivam naturalmente aos pais; no entanto, raramente se considera a possibilidade de acontecer o contrário. A morte de um filho produz uma abrupta ruptura na realidade das pessoas e daquilo que “deveria ser”, tratando-se da “continuidade geracional”. Quando ocorre a morte de um filho, a vida é de súbito destroçada, porque não “deveria ser assim”. Não se pode aceitar ter sido pai de um filho e de repente deixar de ser pai desse filho. O progenitor sobrevivente se dá conta de que o filho morreu mesmo, pois já não está mais presente, mas na realidade dói tanto, e custa tal esforço aceitar esta realidade, que ele passa a resistir como pode, acreditando, por mais um lapso de tempo, que seu filho não morreu ainda, e passando a valer-se da negação, a fim de sentir que o filho continua com vida. Geralmente, ao cabo de muita luta interior, chega-se a admitir o fato, embora, durante o processo, a existência do filho se mantenha mentalmente presente para o pai (Nasio, 2007). A meu ver, em casos como este, a existência do filho fica inscrita para sempre na mente paterna ou materna, pois se há de convir que um filho não é uma pessoa a quem se conheça de imediato, como ao restante das outras: a um filho se reserva um espaço todo especial na mente e no coração, desde que os pais planejam a sua concepção e, a partir dela, toda a sua existência. Muitos genitores, ao se depararem com a morte de um filho, relatam que em várias ocasiões tinham pensado: “eu planejava como deveria ser o batismo de minha filha, chegava mesmo a imaginar cada uma das festas de aniversário que eu lhe faria, mas nunca fui capaz de conceber como deveria ser seu funeral”. Isto porque basicamente nós, seres humanos, enquanto vivemos deixamos a morte de fora. Para nós nem toda morte nos diz respeito, só se torna real quando acontece conosco, em nossas vidas, e o que mais assusta é que ela aparece sem pedir licença, irrompendo na vida da gente; mas a morte, que não queremos admitir, já estava presente e nos acompanha continuamente. Há muita nostalgia nisso tudo, há uma mistura de sofrimento, amor e proveito. Sofre-se a ausência do que se foi, e se consola oferecendo a dor causada pela sua ausência. Continuar sofrendo é uma tentativa de manter vivo esse filho. O impacto provocado, nas famílias, pela morte de um filho, chega a conseqüências em que há destruição de vínculos do casal, da família, ou, se os cônjuges permanecem juntos, os laços que os unem é de tristeza e saudade do filho. Há bem poucos casos em que uma perda do gênero possa ser superada, necessitando para evitar isso de um trabalho sólido e profundo por parte do casal. Na verdade, um filho é o resultado de uma união, é um símbolo da conjunção de duas pessoas, a prova viva de que um casal se mantém intimamente ligado entre si. Por isso acredito que quando este símbolo deixa de ser vivo, vem à tona um vazio: não só alguma coisa morre dentro de cada um, como também essa morte marca o laço que existe entre os dois. Parece-me que, ainda que eu escrevesse um tratado completo sobre a experiência de se perder um filho, não seria suficiente para chegar a compreender o que vivem esses pais; talvez eu possa me aproximar da sua experiência, entender o que pensam e como os afeta; mas quando falam de sua solidão e de seu vazio, continua incompreensível para mim, porque solidão e vazio são palavras que cobrem precisamente essa falta. E essa ausência continuará a se fazer presente. Na realidade, serve apenas para vislumbrarmos a essência humana e nos tornarmos conscientes de que, muitas vezes, se não estamos dispostos a encarar a morte, é porque o amor causa dor, e só quando se sofre é que se sente medo de perder a pessoa amada.

Celio Murilo